Capítulo 01 - O Retorno ao Lar

Os personagens dos jogadores são recém transformados, que na maioria deles viviam na cidade antes da primeira transformação. Foram resgatados por alcatéias da região norte, e encaminhados para os senhores das montanhas rochosas, aonde receberam as instruções básicas da vida dos Uratha. Aprenderam as formas, visitaram uma meia dúzia de vezes o Reino das Sombras, sempre acompanhados por seus superiores e descobriram o básico da funcionalidade da Essência e conseguirem manipular alguns dons. Perto de completar a segunda primavera sob os cuidados da alcatéia das montanhas, os lideres das tribos receberam uma noticia de que o território de Temperance que até então estava vazio, iria ser reclamado por um lobisomem de status social chamado Max Roman. Com a noticia, os lideres informam aos personagens que esta é a vontade de Luna de voltarem a origem e retomar o trabalho de Pai Lobo na região.

Esta região antes era território de uma alcatéia de Mestres do Ferro, que ajudaram Max Roman na expulsão do grande espirito Guliarg, que acabou por dizimar grande parte do território de Max, com suas hordas investindo ferozmente para cima de seus aliados Uratha. Essa, como muitas outras, acabaram se desfazendo pela morte de seus integrantes e o território ficou vazio. Há também a noticia de que um locus de grande influencia habitava a região, mas os batedores Uratha que circulavam na região nunca conseguiram localizar ao certo aonde poderia estar.

Os personagens vêem então na proposta uma chance de retornar à sua cidade, e tentar resolver os problemas agora com o ponto de vista Uratha, que pode ter influenciado muitas das decisões dos ultimos tempos na cidade, e também a chance de poder e status podem ser um fato relevante para essa decisão.

O ponto de encontro para conhecer Max Roman e saber mais sobre o retorno é na velha parada do Coiote Manco, basicamente um trailer clichê de filme americano, feito com a fachada em lataria na cor do aluminio e com seu letreiro piscando por falta de manutenção na rede eletrica. Ele fica às margens da rodovia 101, com amplo estacionamento, paralela a interestadual que corta grande parte dos estados da região leste americana. São 7 horas da noite. Noite de lua crescente.

Jackman, O Rahu Garra de Sangue é o primeiro a chegar, com sua moto preta de 500cc e um ronco ensurdecedor por conta do escamento furado. Ele para a moto, observa no estacionamento mais 3 carros parados e somente então desliga sua moto. Retira o capacete e fareja, sem sucesso, a presença de algum membro de sua raça.

Ícaro, O Irraka d`Aqueles que caçam nas Trevas anda vagarosamente pelos fundos da parada, rastreando a possivel presença de um Uratha, e a medida que vai contornando o trailer, vai assumindo sua forma Hishu. É quando ele chega à porta de entrada e consegue sentir um cheiro familiar, mas não sabe ao certo da onde ele vem. O Irraka adentra ao restaurante cauteloso, e logo se acomoda em uma das banquetas do balcão.

O Rahu chega logo após e se acomoda também ao balcão. Agora dá para saber de onde vem o odor lupino exalado pelos 2 membros do grupo. O caçador indaga o garra se ele é Max Roman, mas recebe uma resposta negativa, e diz que também está a procura dele.

Akamu, O Ithaeur Senhor das Tempestades, que chegara em sua bicicleta minutos antes dos 2, observa a movimentação de longe, na última mesa do bar. Ele parece estar convencido de que nenhum membro Uratha ainda apareceu por ali, talvez por conta de seu olfato estar prejudicado por conta dos hamburguers sendo fritos na chapa da cozinha e o cheiro de gordura invadir o restaurante.

É quando eles ouvem chegar uma caminhonete grande, de cor prata, estacionando no local, e de dentro dela saí um cara alto, aparentando ter uns 40 anos, vestindo um sobretudo preto impecavel e com um olhar de apreensão. O homem entra no restaurante, finta as pessoas no local, e logo chega nos 2 Uratha que se encontram no balcão. “Venham comigo” – Uma voz grossa e imponente é ouvida pelo restaurante. Imediatamente, eles levantam, tendo certeza de que aquela figura é Max Roman, e vão até o estacionamento.

Chegando lá, um jovem de cabelos compridos encontra-se sentado na caçamba da caminhonete de Max, e quando ve os personagens, pula de lá e vai na direção dos mesmos. “Olá, prazer, eu sou Mark Sinclair”, o jovem diz. “Bem vindos de volta à Temperance meus jovens, é com grande felicidade que lhes trago a noticia que este território agora é de vocês.” diz Max esboçando um leve sorriso. Ele continua: “Há muito tempo este território está vago, e com isso muita coisa aconteceu por aqui, e espero poder reverter a situação. Vocês já devem saber da história da antiga alcatéia que vivia na região, e também do locus que ela guardava. Pois então, é possivel que este locus esteja aqui.” Ele entrega um pasta prateada nas mãos do Ithaeur. Olhando dentro, encontram-se alguns documentos e a escritura de uma chácara em Arroyo Grande, não muito longe dali.“O terreno aí descrito era pertencente à antiga alcatéia, e é provavel que o locus esteja em seu terreno. Este locus era protegido, mas agora nossos membros não conseguiram localiza-lo ainda. Provalvemente ele deve estar sob influencia do território, então achem-no.” Max nesse momento cruza os braços e indaga: “Vocês tem alguma pergunta?”
Os jovens logo começam a perguntar da região, o porque deles serem escolhidos e se há algum tipo de ajuda por perto. Max Roman responde o que sabe da região, que eles foram escolhidos com base na tradição Uratha de passar os territórios para os mais novos e promissores de sua raça, e que raramente poderam contar com alguma ajuda de algum Uratha na região, já que a mesmo encontra-se numa àrea onde as tribos puras são presença constante, e as outras alcateias não iriam arriscar sair de seu território cuidado para desviar a atenção para um território onde não teriam influencia nenhuma. O Irraka indaga-o sobre aquisição de totem, uma coisa muito útil que conheceu enquanto servia nas montanhas, e ele responde que isso virá naturalmente, à medida que arrumarem o território e se estabelecerem na alcatéia em si.

Após as perguntas, ele se despede, deixando seu número de celular em um cartão entregue a Jackman, que se precisassem de mais alguma informação poderiam ligar.

Max Roman entra em sua caminhonete e segue para o norte na rodovia 101. Os membros da nova alcatéia decidem então conhecer o tal terreno que lhes foi deixado por Max. Apenas algumas Milhas separam a parada do Coiote Manco da chacára. Chegando à chacara, eles encontram a casa fechada. O Irraka chega primeiro em sua forma lupina, cortando caminho por entre a mata e chega à casa no topo do terreno. O Garra de Sangue e o Irraka são os segundos a chegar na moto, e logo após o Ithaeur adentra à propriedade em sua bicicleta.

Quando todos esperam nas escadas da varanda chegarem, Mark abre a porta, revelando uma casa à muito não usada. Lençóis cobrindo a mobilia e muito pó no chão é a primeira impressão que se tem. A casa é um loft, onde tudo é integrado, somente há 2 portas, uma que leva ao banheiro e outra que leva ao escritório da casa. Uma olhada rápida revela uma terceira porta embaixo da escada, que provavelmente leva ao porão. O Ithaeur bate a mão no interruptor, mas parece não funcionar, as luzes não acendem. Uma breve olhada de Ícaro nas redondezas afirma que o padrão de luz localizado na casa segue para o interior da terra, sugerindo que o disjuntor geral da casa esteja no porão. Mark então deixa a moto de Jackman ligada, com os faróis virados para dentro da casa, para dar uma ajuda na iluminação. O Senhor das Tempestades sobe até o mesanino, onde alguns colchões encontram-se amontoados e uma porta que leva para o banheiro superior. Alguns quadros na parede revelam fotos de pessoas, inclusive uma que conta com a casa onde estão como plano de fundo.

É quando jackman se dispõe a descer e ligar o disjuntor. Ele atravessa a porta do porão e começa a descer o lance de 32 escadas. Em seu final, revela-se um porão amplo, com uma altura boa, mas completamente escuro por conta de não ter nenhuma janela. Ele então tem a ideia de usar seu celular para iluminar o comodo, e quando o faz, sente algo tocando-lhe, no ombro, e então vira-se, revelando uma face de uma pessoa idosa, com olhos fundos e desespero no olhar e some. Ele então olha para a porta do porão, e esta bate-se com violencia. A porta da frente também bate, fazendo um tremendo estrondo, onde todos olham assutados para a porta, e percebem que a luz da moto acabara de desligar. Jackman saca sua arma, uma .44 herdada de seu ultimo trabalho, e começa a procurar a figura fantasmagórica. O Ithaeur imediatamente desce, acompanhando pelo Ícaro, que acaba de improvisar uma tocha com um dos lençois achado no mezanino, com o objetivo de iluminar melhor o porão. Chegando lá, Akamu depara-se com 3 figuras de humanos completamente ensopados, vestindo roupas casuais e com alguns panos molhados em suas mãos. Eles começam a atacar o Ithaeur com toalhadas, que começam a formar vergões e realmente a machucar a sua pele. Quando então ele se irrita, e como é sua lua de augurio brilhando no céu, ele imediatamente se transforma, tomando a forma de batalha Gauru, e parte para cima dos fantasmas materializados com uma fúria insana, mordendo todos eles. O Rahu começa a acerta-los também com sua arma, e é surpreendido pelo velho da escada, que agora aparente ser um padre, e começa a gritar: “Vão embora Crias de Satã, esta é a casa de Deus, vocês não conseguiram acessar os céus por esta passagem !”. Nisso o Irraka com a tocha improvisada em sua boca, já que encontra-se na forma Urshul, e larga a tocha no centro da sala e parte para a briga com os 3 fantasmas ensopados. O padre tira um livro aparentemente pesadissimo de dentro de seu casaco e acerta com ele na cabeça do Rahu, que pende para a frente, cabaleando por conta do golpe, e este logo vira e começa a descarregar sua arma no fantasma traiçoeiro.

A luta logo é vencida, deixando os membros da alcatéia totalmente molhados. Alguns barulhos vem do andar de cima, e quando Jackman corre para ver, Mark acaba de eliminar um quarto fantasma que apareceu para ataca-lo também, e guarda seu facão de caça em seu cinto. Todos se recuperam da batalha e Ícaro, usando sua forma lupina, rastreia um cheiro peculiar de água parada vindo do porão, mais exatamente atrás de uma das pardes. Uma melhor analise conclui que ali encontram-se alguns tijolos soltos na parede, e ele logo os removem, liberando um arco de passagem e revelando um comodo relativamente pequeno e um poço em seu interior. O Ithaeur vasculha o poço, enquanto o Rahu encontra na biblioteca uma lanterna em uma das escrivaninhas da biblioteca. Usando a lanterna, ele logo chega ao fundo do poço, onde a água parece brotar apenas de um buraco em seu fundo, e mirando a lanterna consegue visualizar 5 corpos mergulhados em seu interior, enrolados em lençóis. Eles retiram do poço os corpos e resolvem queima-los, para libertar suas almas deste mundo. Eles cavam um buraco nos fundos da casa e cobrem os corpos com lençóis embebidos na gasolina da moto do Rahu, e ateiam fogo. Pronto, menos um problema eles pensam.

O locus, provavelmente o poço, está aparentemente desativado.

Capítulo 01 - O Retorno ao Lar

Temperance Jones