Capítulo 05 - Do vazio vieste, ao vazio retornáras

Parte 01 – Texas and Illinois

O mustang de John está um caco. É o que todos pensam quando este dá uma bela engasgada no motor e solta uma fumaça negra e tóxica de seu escapamento. Isso na realidade é uma distração, pois Ícaro está ainda semi-consciente no banco traseiro do veículo, sendo assistido por Mark, que tenta fechar os ferimentos de Ícaro a todo custo. A viagem é rápida, e quando chegam perto da avenida Farrol, decidem ligar para “Chicago” novamente, para que ele venha encontra-los, pois tem medo de chamarem muita atenção com o carro todo esbagaçado e com 2 feridos sangrando dentro do carro, já que Jackman também foi alvo dos ataques com aquela lança estranha que os Puros carregavam.

“Chicago” os encontra em um beco, em uma rua perpendicular à MOTOROME, dirigindo uma van preta com o simbolo da mesma.

- Vamos, entrem logo. Carreguem os feridos atrás. John ! Siga-me. – Diz “Chicago” ao chegar próximo ao beco, colocando a cabeça para fora da porta do motorista.

Todos ajudam a levar Ícaro, e John parte sozinho seguindo Chicago até a MOTOROME. Chegando lá, Joe abre um portão de metal, e pede para que John estacione na vaga do fundo. Quando todos entram, eles sobem as escadas que chegam ao saguão onde Jackman e Akamu vieram na primeira visita.

Eles caminham até a porta oposta ao apartamento de Ellie, o apt 01, e Chicago corre para abrir para que possam colocar Ícaro no sofá. Ao entrarem, deixam ele no estofado e Mark pede para que alguém vá com urgência buscar gases e medicamentos para poder curar Ícaro. John e Joe se oferecem e partem em busca da drogaria mais próxima. Eles descem as escadas e entram em um sedan conversível de Chicago, saindo à toda velocidade.

John e Chicago trocam algumas palavras, mas são interrompidos pelo celular de Joe. Quando Joe atende, seus olhos se enchem de lágrimas … Ele desliga o celular, e vira-se para John.

- “Vamos ter que fazer um desvio, vá para Oceano” – Chicago diz com uma voz trêmula e claramente emocionado.

- “Sim Chicago, vamos agora!” – John responde tentando entender o que se passa com o companheiro.

Os dois seguem para Oceano, entram em uma rua cheia de galpões industriais, e avistam uma movimentação policial mais à frente. Quando chegam perto do cerco que está na frente de um grande galpão, aparentemente abandonado pelo mal estado de conservação, eles descem e vão até um poicial.

Chicago saca uma carteira, onde nele contem uma insignia do FBI, e o policial os deixam passar. John claramente faz uma expressão de surpresa, pensando " Nossa ! Chicago é do FBI, fud*** ". A dupla adentra o galpão mal iluminado e no final dele um comodo revela alguns flashes que inrompem na escuridão. Ao aproximar, eles notam um corpo de uma senhora esticado sobre uma mesa de metal, com marcas feitas por alguma faca ou instrumento semelhante, desenhando vários simbolos. As paredes daquele pequeno comodo também contém as marcas encontradas no corpo. Chegando perto da mesa, Chicago debruça na mesa e entra em estado de choque, chorando sem parar e não conseguindo falar nada. A mulher deitada é Ellie Parker.

John conversa com alguns policiais que estão ali no local, e obtem a informação de que aquele assassinato ocorreu à poucas horas, e receberam uma denúnica anônima indicando o local. O próprio telefone público que fica na frente do galpão foi usado para faze-lo, mas os peritos ainda estão investigando se há ainda algumas provas que possam dar mais pistas sobre o caso. As marcas deixadas na cena do crime e no corpo da vítima são as mesmas que eram usadas por Jack Squad em seus crimes.

Chicago então consegue recompor-se e pede para que John vá até a farmácia, já que Ícaro ainda os esperam. John concorda e deixa Chicago conversando com os agentes do FBI responsaveis pelo caso. John parte com o carro de Chicago, compra os itens que Mark havia pedido e volta para a MOTOROME.


Parte 02 – Revirando o livrado

Ícaro está jogado no sofá, com ferimentos que um simples mortal já teria sucumbido, tentando resgatar com as forças que lhe restam o legado que Pai Lobo lhe deixou. Os ferimentos parecem dificeis de cicatrizar, aquele dor não passa …

Mark tenta desesperadamente estancar o sangue que brota das feridas do companheiro Uratha, usando todo conhecimento que adquiriu indo para aquele lugar na África, ajudando os pobres como missionário da ONU. “Cadê o John com aquelas bandagens ? Preciso delas PORRA!” Mark esbraveja enquanto mais um corte se abre ao virar o corpo de Ícaro para o lado.

Enquanto isso, Jackman que está bastante ferido também, cabaleia entre os comodos averiguando o local onde reside Chicago. Ele encontra tudo meio bagunçado, algo de se esperar vindo de um solteirão como o dono daquele apartamento. Logo que entra no escritório, Akamu está sentado na mesa, com a gaveta aberta, e 2 livros sobre a mesa e os braços apoiando sua cabeça.

- “O que foi Akamu?” – Jackman pergunta em tom de preocupação.

- “Você lembra do livro que Eliza me mandou? Pois é, Chicago tem um igual !” – diz Akamu, virando-se para o amigo e levantando-se da cadeira com os livros e uma pasta azul em sua mão.

- “Mas Chicago tem alguma coisa a ver com Eliza?” – Jackman agora diz sem entender mais nada.

- “Ainda não sei, mas descobri mais uma coisa. Joe Rome é o nome verdadeiro de Chicago. Na verdade, ele é AGENTE JOE ROME. Ele é do FBI.” – Akamu caminha até a sala e senta-se em uma das poltronas com o livro de Eliza aberto.

Jackman o segue, e junta-se com os companheiros na sala. Ícaro parece estar estabilizando-se, mas ainda é cedo para dizer, pois as coisas que John ficou de pegar são essenciais na luta pela vida do Uratha.

Akamu começa a leitura do livro misterioso, e este revela-se bastante intrigante. O capitulo 01 do livro trata-se de uma preparação, como quem vai fazer um ritual. Tem vários procedimentos aleatórios escritos em diversas linguas, mas dá para imaginar o que seja. Algo como sangue de bode, olhos de tubarão, lingua de lobo, pernas de sapo, seiva de árvore de lima da pérsia, e coisas do gênero. Um verdadeiro cardápio para os fãs de bruxaria, mas Akamu sabe que a coisa é séria. Aquilo pode ter ligação com o capitulo 02, onde Akamu decifra algo que descreve um ritual de proteção, ou confinamento. Uma jaula seria a palavra certa a ser dita.

O Ithaeur Senhor das Tempestades ajeita-se em sua poltrona, fecha os olhos por um instante, e continua a tentar decifrar aquelas coisas estranhas que estão escritas. O capitulo 03 trata de um ritual, esse claramente conhecido por Akamu. Este ritual é um ritual de invocação de espiritos através do Dromo. Algo como um apito de cães em uma praça municipal. Akamu coça seu queixo e continua afundado em suas pesquisas.

Passados alguns momentos, John entra pela porta eufórico, entrega a sacola de utensilios para Mark e diz:

- “Ellie Parker morreu. Foi assassinada como naquele Jornal que Mark nos trouxe na primeira semana, com padrões usados por aquele assassino Jack Squad.” – Nota-se uma euforia extrema em John, que tenta respirar e falar ao mesmo tempo, deixando as palavras quase inteligiveis.

- “Acalme-se John!” – Jackman diz – “Como isso ocorreu ? Temos uma novidade para você também.”

- “Ainda não sabem, mas sabem que foi a poucas horas, e eu também tenho outra novidade.” – John consegue tomar um pouco de folego antes de falar.

- “Chicago é do FBI !” – Jackman, Akamu e John dizem ao mesmo tempo.

Todos ficam surpresos com a noticia, e Akamu joga na mesa de centro da sala a pasta azul, que contem a insignia da instituição federal. Mark termina de fazer os últimos curativos em Ícaro, que agora parece sentir-se um pouco melhor, mostrando esse seu novo estado quando senta-se no sofá como todos ali na sala.

O silêncio é interrompido quando na porta de entrada a campainha toca.


Parte 03 – …. de homem para lobos

Todos olham para a porta. A campainha toca novamente. Jackman levanta-se calmamente e vai em direção à entrada, e observa através do olho mágico localizado no centro da porta. Ele vira-se e diz em voz baixa:

- “É aquele cara velho. Amigo da Ellie. Acho que é Sargento o nome dele. Lembra Akamu ?” – Jackman indaga o amigo.

- “Lembro sim. É Sargento James Morrison. Abra, deixe-o entrar Jackman.” – Akamu diz, mas sem ninguém perceber, engole seco pois está pensando em como sair daquela situação sem arrumar encrenca, já que da última vez o velho apareceu apontando uma .12 cromada para eles sem a menor explicação.

Jackman abre a porta e o Sargento o cumprimenta, perguntando se Chicago está. Jackman diz que Chicago foi resolver um problema, mas nada sério, e já retornaria. Deixara eles ali pois estavam querendo conversar com ele, mas aconteceu isso e eles estão esperando o retorno de Joe. O Sargento faz uma cara de quem está desconfiado, e uma espiada por cima do ombro de Jackman revela o sofá de Chicago todo embebido de sangue e gases e faixas espalhadas pelo chão. Ele então pergunta:

- “Posso entrar ? Preciso falar mesmo com vocês.” – O Sargento já vai entrando e procurando um lugar para se sentar. Consegue um próximo ao canto do sofá onde Ícaro encontra-se agora, uma das únicas partes dele onde não contém nenhum resquicio de sangue.

Sargento ageita-se no estofado, olha no rosto de cada um que está presente na sala, esboça um leve sorriso sarcástico e começa a discursar em meio tom:

- “Como vejo pelo silêncio, vocês não são normais. Isso eu já sabia. Soube quando estavam conversando com Chicago e Ellie aquele dia. Existe algo aí dentro, algo grande e brutal, que vocês não conseguem guardar dentro de seus olhos.” – O sargento parece calmo, mas atento a tudo o que acontece na sala. Ele cruza os braços sobre a perna e continua. – “O que eu só não entendo é como chegaram até aqui e quais seus verdadeiros objetivos? Agentes da Doorman é que não são… Aqueles ratos preferem carne podre do que sair para caçar.”

- “Exatamente Sargento.” – Akamu interrompe o velho. – “Não somos agentes da Doorman, nós justamente queremos saber mais sobre ela, pois acreditamos que ela está por trás do assassinato de Joseph Lincoln e da Ellie Parker!” – Akamu cerra os olhos neste momento para ver a reação que James faz.

- “Soube a poucos minutos …” – Um leve pesar é sentido em sua voz. – “Estou com mais essa preocupação na cabeça. Todos aqui na MOTOROME já sofreram o suficiente. Coisas ocultas no mundo sombrio atacaram-nos à tempos atras. Por isso nós nos juntamos. Para sempre estarmos em alerta em coisas sem explicação. E com esse objetivo que venho lhes trazer isto.” – James tira de seu bolso algumas fotos dobradas.

John pega as fotos e as abre. As fotos são do sobrado, na noite do ataque dos Puros. Muitas imagens ali estão nitidas, mudanças de formas e uma luta descomunal como ocorreu, o suficiente para revelar a presença de Urathas na região, mais especificamente … A alcatéia !

- “Entendemos seu lado Sargento. Mas o que exatamente vocês sabem desse mundo sobrenatural que você diz ter atacado vocês ?” – John entra na conversa de forma mais agressiva, tentando arrancar alguma informação de James.

- “Muitas coisas John. Coisas até demais que não gostariamos de estar lembrando. Por exemplo, Ellie perdeu o marido vítima de um acidente vascular, causado por alguma criatura que até hoje não conseguimos localizar. Jason, lembra dele ? O Mago ? Então, ele, a mulher Susan e sua filha Amy cairam de um avião comercial à 4.000 pés de altura. Sua mulher faleceu, mas ele sobreviveu, ficando paraplégico e por alguma razão Amy sai ilesa do acidente, apenas com alguns pequenos arranhões. Bizarro, não ?!” – James inclina-se para o centro na mesa e pega a pasta azul que está apoiado em cima do móvel.

- “Nossa ! Desconfiavamos que Ellie tivesse tido algo do genero, mas o Jason ficar nessa cadeira por conta de um acidente tão bizarro ?! Vocês devem ter passado muita coisa depois disso mesmo. Mas qual a ligação de vocês com o FBI ?” – pergunta Jackman, que continua em pé ao lado da porta que fechara a poucos instantes atrás.

- “Nossa ligação ? Nenhuma. Chicago é quem tem. Na verdade, Chicago é hoje somente um consultor do FBI, e não propriamente um agente. Ele já foi um. Mas ele se envolveu com algum tipo de substância sobrenatural e isso acabou com sua vida. Conseguimos fazer ele ficar normal novamente, e seu antigo empregador quis que ele retornasse ao serviço. Achamos que isso poderia ser usado a nosso favor, então ele aceitou com algumas condições, tornando-o somente um conselheiro e ajuda de posto avançado para agentes do governo. Se vocês soubessem o quanto lixo esses politicos jogam para debaixo do tapete…” – James devolve a pasta na mesa e cruza os braços novamente.

O sargento então levanta-se da cadeira, e agradece aos novos vizinhos pela conversa. Ele ainda termina se dirigindo a porta, mancando como sempre da perna direita, dizendo que se encontrarem Chicago, peçam para que ele bata em seu apartamento. Jackman faz um sinal de positivo, e o sargento abre a porta e a fecha logo em seguida.

- “Ele sabe …” – Ícaro resmunga no sofá. – “Ele sabe sobre nós …”


Parte 04 – O trabalho

Akamu termina de ler o livro da capa negra. Algo passa em sua mente. Ele levanta-se da poltrona e parte em direção ao escritório da casa. Chegando no local, Akamu utiliza-se de um dos dons que Luna lhe abençoou, o dom que permite com que o Uratha enxergue o que acontece do outro lado do Dromo. Akamu concentra-se, e parece que a sorte está a seu favor. Sua percepção amplia-se, e uma quantidade enorme de detalhes é possivel ser visualizada com um de seus olhos, já que o outro permanece no mundo material. Ele observa o escritório, mas nada aparenta ser estranho. O mesmo para a sala e para os quartos do apartamento. É quando ele adentra ao banheiro, e várias imagens o cegam por alguns instantes. Várias cores emitem uma luz intensa e cegante, e seus padrões desenham formas nas paredes, chão e teto. Simbolos começam a serem vistos e tomam forma. É quando no centro do banheiro, na frente do vaso sanitário, encontra-se um baú, também repleto de cores e coisas escritas. Parece ser feito de madeira e ferro, como naqueles filmes de pirata.

Jackman acompanha o amigo pelo apartamento, e nota que há algo diferente no banheiro. John acabara de descer para arrumar o carro, na realidade tentar avaliar os danos e utilizar-se de seu conhecimento e de seus dons para que seu veiculo de estimação volte à ativa. O ex-policial pergunta à Akamu se algo errado, e ele descreve exatamente o que vê. Jackman fica curioso para saber o que é, e quando John sobe ao apartamento, compartilha do mesmo sentimento do amigo ao saber da novidade.

- “Aquilo do livro de Eliza está aqui nesse banheiro.” – diz Akamu, ainda observando o banheiro. – “Mas o que será que aquele baú guarda ? E por que dos rituais de proteção e invocação ?”

O ar de mistério paira sobre a alcatéia. Todos tentam entender o que possa ser aquilo que acabaram de descobrir. Quando são surpreendidos pela entrada de Chicago no apartamento. Akamu tenta conversar com o humano sobre o livro, e ele responde que ganhou de Eliza algum tempo atrás. Mas Joe reclama muito de dores de cabeça, e adentra ao seu quarto sem revelar nada mais importante, dizendo que precisa dormir para relaxar um pouco.

Todos acabam seguindo o exemplo de Chicago, e ageitam-se no apartamento para dormir. A noite passa tranquila. Tudo parece calmo. A mente começa a se encaixar nos trilhos novamente. No dia seguinte, todos acordam um pouco melhor, inclusive os feridos da noite anterior. Ícaro consegue esboçar alguns passos, ajudado por muletas que Chicago tinha em seu apartamento da época em que machucou seu tornozelo em uma partida de fim de semana de futebol. Jackman ainda sente algumas dores pelo corpo, mas nada que não consiga resistir, pois pensa que já passou por coisas piores. John vai até a oficina, e continua a mexer em seu mustang, seus “cavalos” de estimação.

Jackman está tomando seu café da manhã, quando em seu celular surge uma chamada. Ao atender, uma voz baixa e com um tom de medo surge do outro lado do aparelho: “Jackman, quem está falando é Thomas Clinton, preciso da sua ajuda. Estou preso no Highland Sky Building. Não querem me deixar sair … Por favor … Venha …” e a linha cai. Jackman levanta-se e ao olhar para porta da frente, vê Akamu adentrando ao apartamento.

Akamu diz que havia ido até a casa de Clinton, pois descobriu que era ele quem estava na frente do sobrado no outro dia do ataque dos Puros. Ele estava acompanhado de Anne Portmann, sobrinha de Ellie, sua namorada. Mas a casa dele estava vazia. Descobriu tudo isso nessa manhã, em conversa com Jason, o Mago.

O ex-policial então conta a Akamu que acabou de receber uma ligação desse Thomas, e que ele estava provavelmente em perigo. O hawaiano cerra os olhos, demonstrando supeita, mas logo junta as peças: Jason havia dito mais cedo que Thomas Clinton era um cara com uma sorte imprecionante. Tudo parecia converger ao seu favor, tornando-o uma referencia em sua profissão, se não fosse as coisas que disse abertamente ao povo, atiçando a capacidade humana da negação e acusando-o de louco.

Ícaro junta-se à conversa lembrando que esse prédio é a sede da chamada KROMUS CORP. Akamu faz uma cara para Ícaro, dizendo que nem precisava lembrar, que ele nunca iria esquecer … Quando John retorna da oficina, o colocam a par da situação, e começa um verdadeiro debate sobre o que fazer a respeito da atual situação. Momentos tensos na discussão. Devem ou não irem fazer finalmente a tão esperada visita ao que eles acreditam ser o causador de toda situação atual de Temperance, Tom Baker ?


Parte 05 – Hóspedes da casa do Sol

A discussão torna-se acalorada. John, Jackman, Ícaro e Mark são a favores de irem falar com o magnata. Akamu se mostra resistente, dizendo que no dia que encontrar Tom não vai para ter uma conversa “amigável”, já que suspeita que Tom tenha sido causador da morte de sua esposa à alguns anos atrás. Mas sempre muito reservado, não revela isso a ninguém. A conversa parece não terminar tão cedo, quando pela porta do apartamento entram Chicago e James. Eles apoiam a maioria, e mostram-se totalmente a favor de irem “conversar” com Baker. Chicago e James acreditam que Tom seja o líder da Dorman, e ele quem assassinou Ellie naquele galpão imundo.

Todos então entram em acordo. Vão ir até Tom. O calor de diversos sentimentos como, raiva, ódio, desprezo e procura de resposta preenchem os corações da alcatéia. Akamu aceita em ir, mas ficará na van no estacionamento. “Sensato e racional” pensa Chicago à respeito do hawaiano.

Eles adentram à van, e partem em direção à sede da KROMUS CORP. Chegando no local, Chicago pede passagem ao segurança da guarita, usando de sua influencia na agência do governo pela qual trabalha. Ao chegar ao estacionamento, Akamu como combinado aguarda no veiculo, e o grupo segue em direção ao prédio central.

O prédio central é um prédio de doze andares de grandes dimensões, com vidros espelhados fazendo os fechamentos dos andares, e no saguão ele é aberto com acesso por todos os lados. Encontra-se em seu centro a torre dos elevadores e o balcão circular de atendimento. Atrás deste localiza-se a sala da segurança, toda fechada com vidros provavelmente a prova de balas pela espessura e dois seguranças em seu interior. Vários outros são notados andando em duplas pelo terreno e no saguão principal. Uma relativa movimentação de pessoas é vista ali, todos vestidos formalmente como numa empresa de alto padrão como a KROMUS CORP.

Eles chegam até uma recepcionista, e quando Chicago diz que quer falar com Thomas Baker, um jovem caucasiano de cabelos pretos e arrepiados, vestindo um terno preto com gravata rosa listrada e com um sorriso no rosto aparece de trás dos elevadores e chega até o grupo.

- “Olá, pode deixar Christine, eles tem hora marcada com Thomas. Meu nome é Edward, secretário pessoal do presidente. Por favor me acompanhem.” – diz o jovem, virando-se e caminhando até o elevador.

Ele adentra ao elevador, acompanhado pelo grupo desconfiado, e aperta o botão 12. Eles sobem até o 12 andar e chegam até uma sala grande, dotada de sofás e uma TV na parede. Uma mesa completa de café está posta do lado direito da sala, e à frente do elevador nota-se uma porta grande de madeira entalhada, cuja qual Edward se aproxima e a abre, revelando uma mesa central oval com 36 cadeiras.

- “Que bela sala de reunião!” – diz Jackman surpreso com o luxo que apresenta a sala da empresa.

- “Podem ficar a vontade, Tom já irá falar com vocês. Se precisarem de alguma coisa, estarei aqui no hall de entrada para ajuda-los.” – diz Edward enquanto caminha para trás, fechando a porta logo em seguida.

Todos entreolham-se, e aguardam o tão esperado momento de finalmente encontrar Baker.


Parte 06 – Atos e Desacatos

A espera parece ser longa demais, apesar do pouco tempo na sala de reuniões da companhia. Os nervos estavam impacientes e agravam-se mais quando Ícaro detecta na mesa algum tipo de mecanismo que faz com a mesa abra ao centro. Jackman detecta furos estranhos na parede, e uma olhada mais de perto revela caixinhas de som em seu interior. Ícaro começa a fuçar nas coisas, e logo é repreendido por John, mas mesmo após a advertência, continua a mexer nas aparelhagens encontradas. James e Chicago permanecem de pé de frente à mesa.

Após alguns instantes, como esperado por Ícaro, o centro da mesa abre-se, revelando um painel eletrônico com uma tela de LCD sensivel ao toque. Ela começa a brilhar, e em sua superficie, é projetada uma imagem de um homem caucasiano vestindo um terno preto. A nitidez dos detalhes é impressionante.

- “Bom dia à todos! Meu nome é Thomas Baker, como já devem saber. A que devo essa relevante visita ?” – diz a imagem em tom amigável, em tamanho reduzida, mas mantendo as devidas proporções.

- “Bom dia Tom !” – diz Ícaro – “Viemos conversar com você sobre alguns assuntos. O primeiro é sobre Thomas Clinton. Nós recebemos a informação que ele está preso aqui em seu edificio, isso é verdade ?” – Ícaro aproxima-se da mesa, mas nota-se uma certa indignação pela forma que a reunião é conduzida por essa video conferencia.

- “Thomas Clinton está sim aqui no prédio. Fui informado que ele queria conversar comigo sobre algumas fotos que havia tirado. O pessoal dos Recursos Humanos estão conversando com ele agora. Mas preso ? De forma nenhuma ! Ele pode sair a hora que quiser. E se vocês quiserem vê-lo, é só pedirem a Edward, que ele os levará até o andar correto.” – Tom tem um timbre de voz suave e calmo, o que causa estranhesa e mais desconfiança à alcatéia.

- “Vocês não queriam falar nada ?” – John vira-se para Chicago e James, e nota agora que eles parecem estar em estado de choque, não mexendo um só musculo do corpo. John ainda tenta faze-los se mover, mas eles parecem completos incapazes de realizar qualquer tipo de interação.

- “O que você fez com eles ?” – John eleva o tom dirigindo-se à Baker.

- “Eu não fiz nada … Eles sempre ficam assim quando me veêm. É normal …” – Tom responde de forma direta à pergunta do texano.

Ícaro se mostra indiferente com a conversa, mas decide partir para o ataque, perguntando o que Tom realmente quer. O presidente da Kromus diz que precisa achar um artefato, algo que possa reverter sua situação, uma coisa que ele mesmo chama de maldição. O Irraka retruca dizendo que não importa seus objetivos, ele já causou muito mal a aquela cidade.

Baker mostra nas imagens da tela alguns desenhos de como seria este artefato, um relógio de bolso do século 19, e diz que necessita dele, e só a alcatéia pode lhe ajudar. Ícaro se ofende com a proposta, e responde que para começar a conversar com Tom, ele precisa acabar com os Puros, e sabe que Baker conhece exatamente do que ele está falando. Baker então faz uma proposta: Acabar com os Puros em troca do Artefato.

A alcatéia mostra-se indecisa, e Ícaro mantém sua posição agressiva em relação à Baker. Jackman fica com pé atrás, mas parece saber que Tom diz a verdade. Mark fica desconfiado como seu amigo Irraka. John ouve todas as opções dos companheiros, e diz:

- “Bom, Thomas Baker III. Quero EU lhe fazer uma proposta. Queria tomar um minuto de seu tempo, e encontrar com você pessoalmente. Esse tipo de reunião acredito não estar funcionando, e temos assuntos muito sérios para serem tratados através de uma simples e informal vídeo conferência.”

- “Gosto de sua atitude John. Acredito que possamos conversar sim, assim lhe exponho toda a situação e você poderá analisá-la de forma mais coerente e verdadeira.” – diz Tom, que após finalizar sua frase, some da tela da mesa, e a porta do hall se abre.

Edward abre a porta e chama pelo nome de John. “Os outros se quiserem podem aguardar aqui.” – o secretário fala enquanto fecha a porta novamente. Ele encaminha John até um terceiro elevador, que encontra-se já parado neste andar, e sobem até a cobertura. Chegando lá, um grande jardim é visto, e uma cobertura de alvenaria faz o fechamento do elevador até o caminho entre o jardim que segue até uma casa da cobertura. John acha estranho, mas já imagina pelo estado de Tom o porquê: A casa não contém JANELAS. Somente uma grande porta na frente coberta com camadas de cortinas de lona grossa.

Edward encaminha John até a entrada. " O Sr. Baker aguarda-o na sala interna." – diz à John, enquanto abre passagem através das cortinas e logo que o texano passa ele ás fecha. O ambiente interno mostra-se bastante acolhedor, em meia-luz, e Thomas chega e cumprimenta-o: “Bem vindo John, espero que o Sol não esteja muito forte lá fora e possa ter vindo com conforto até aqui…”

Capítulo 05 - Do vazio vieste, ao vazio retornáras

Temperance nabuco