Capítulo 2 - Revelações

Depois de queimarem os corpos dos humanos mortos encontrados no poço da casa, a nova alcatéia começa a dar um jeito na propriedade abandonada. Começam a organizar tudo, limpar a crosta de pó que cobre o sobrado e a arrumar a parte externa, cortando as ervas daninha e consertando os problemas gerais. Muita dedicação e força de vontade movem os Uratha, e no meio tempo da limpeza conseguem trocar algumas histórias de vida sobre suas pessoas. Na noite de Quarta-feira (chegaram no domingo), está tudo pronto. Todos se sentam a sala e comemoram o feito, já que o primeiro passo para arrumar um território começa em sua própria casa. Mark e Ícaro, depois de alguns minutos resolvem descansar, restando apenas Jackman (Rahu) e Akamu (Ithaeur) na sala.

Eles começam a refletir sobre os acontecimentos, quem seriam aqueles homens-fantasmas, e qual foi o destino da antiga alcatéia que vivia na região.
Jackman diz para Akamu que conhecia um deles, Susan Hart, uma moça nova que o resgatou em sua primeira transformação. Ele conhecia também seu “irmão”, Andrew Hart e também seu “pai”, Nicholas Hart. Eles viviam na região à dois anos atrás, que provavelmente sumiram depois desse tempo.

Akamu resolve dar uma olhada no escritório da casa, e descobre alguns documentos antigos com o nome da família Hart, algumas fotos e anotações em geral. Enquanto isso, Jackman começa a se arrumar para ir dormir também.
Quando amanhece, Akamu é o primeiro a acordar, levanta-se e vai preparar um café. Ao abrir a porta da frente para tomar o café na varanda, vê na porta da frente um desenho estranho, algo como um símbolo desenhado com barro. Akamu chama os outros membros, e ninguém parece ter visto algo como aquilo. Akamu passa a desconfiar que aquilo possa ser um simbolo de algum totem.
Jackman tira uma foto com seu celular, e eles resolvem ligar para Max Roman para ver se ele sabe de onde veio aquilo. Max atende o celular e Jackman o indaga sobre o ocorrido. Max desconhece o símbolo descrito por Jackman, que também pergunta se existe alguma alcatéia na região. Max dá uma resposta negativa, pode ser uma série de coisas. Eles perguntam sobre o antigo grupo de Uratha que vivia na região, e ele responde de forma firme que eles eram bons membros de sua raça, que tombaram há pouco tempo por conta dos espíritos seguidores de Guliarg. Jackman então agradece as respostas, e o indaga se ele poderia estar vindo para Temperance ver exatamente o que era o símbolo. Max responde negativamente, dizendo que já está em Denver e não poderá voltar, pois tem muitos assuntos ainda para resolver. Jackman então se despede e agradece. Roman desliga o celular.

Akamu pede para Jackman o celular emprestado, pega a lista telefônica antiga encontrada no escritório da casa, e liga para a empresa Temp Security, uma empresa especializada em segurança domiciliar. Ao falar com a atendente, fecha um pacote de segurança que inclui cerca eletrificada e sensores de presença nas entradas da casa. Marca uma visita do técnico no dia seguinte, às 10:00 da manhã.
Ao desligar, entra em contato com outra empresa, a Highest Deep, uma empresa de poços artesianos. Ele indaga o porque de um poço estar vazio, e a pessoa que o atende diz que pode ser vários fatores, desde o ressecamento da passagem de água a algum problema no fornecimento do lençol freático. Ao perguntar ao atendente onde fica a nascente deste lençol, o atendente informa que provavelmente pelo lugar onde se localiza a casa, é fornecido pelas montanhas mais ao norte, nas redondezas dos campos adquiridos pela empresa Kromus Corp.
Akamu conhece esta empresa por ser uma das principais causas de destruição ambiental da região, mesmo com propagandas dizendo que não, que é uma indústria com consciência ecológica. É uma empresa que começou pequena, mas que foi agregando a suas propriedades outras que estavam precisando de investimentos. Hoje ela ocupa por volta de metade da participação da produção de calcário e gesso da cidade.
Então Akamu resolve fazer sua própria investigação em relação aos corpos, e Jackman o acompanha, dizendo que trabalhou durante um tempo na cidade como policial, e tem alguns contatos na delegacia, que é o primeiro ponto de parada dos dois Urathas.

Chegando à delegacia, Jackman chega ao escrevente, Carlos Garcia, que logo o reconhece e pergunta como foi o treinamento. Jackman antes de partir da cidade, deu baixa na corporação alegando que iria fazer um treinamento de sobrevivência nas montanhas por tempo indeterminado. Jackman diz que deu tudo certo, e que agora tem novas visões da cidade. Mal sabe o escrevente que ele REALMENTE tem novas visões. Carlos, um homem de seus 50 anos de idade magro, alto, de cabelos brancos e cheirando à cigarro liga para o gabinete no delegado, e pede para que os dois entrem na sala do delegado. Ao entrarem na sala, um homem fora de forma e careca, aparentando a mesma idade do escrevente, vestindo o uniforme policial está atrás de uma mesa de carvalho escuro, sentado em sua cadeira giratória com as mãos apoiadas em sua barriga, saúda os dois:
- Jackman, que bom vê-lo, espero que tenha aproveitado o treinamento. Prazer Akamu, eu sou o xerife-delegado Bromer Collier. A que devo a esta visita? – diz o delegado de uma forma estranhamente simpática, diferente dos costumeiros xerifes de cidades por aí.
- Viemos por que queria saber se você conhece alguma dessas pessoas aparecendo nas fotos. – Jackman diz, entregando ao delegado seu celular com as fotos dos cinco cadáveres que foram encontrados no poço.
- Reconheço somente este, o reverendo Joseph Lincoln. – o delegado se projeta para frente, mostrando a foto para Jackman do cadáver do religioso.
- Ele era daqui xerife? – Jackman pergunta.
- Sim, era da Igreja da Ajuda, a poucas quadras daqui. Ele estava sumido a mais ou menos um ano e meio. Nunca encontraram o corpo, suspeitavam que ele tivesse abandonado a missão. Mas aonde você tirou estas fotos Jackman? – pergunta o xerife, que tira do rosto do a feição receptiva e agora esboça uma cara de suspeita.
- Hã … – Jackman hesita por um instante – Foi um antigo informante meu que as mandou. – o antigo policial engole a seco, esperando que o xerife engula o blefe.
- Quem é este informante? Quero que o traga aqui imediatamente! – o xerife começa a se exaltar, acreditando que finalmente o caso vai ser resolvido.
- É que na verdade eu não sei quem foi quem mandou, estou trabalhando nisso também. Acredito ser um antigo informante, mas foi mandado anonimamente. Quando eu descobrir quem foi falarei para o senhor. – Jackman respira fundo, põe as mãos sobre a mesa e olha para os olhos do xerife.
- “Tá” certo! – ele responde – Descubra então quem te mandou isso e me avise o mais rápido possível. Com tantas ocorrências dessa cidade, seria muito bom que você voltasse a trabalhar conosco Jackman. Estou precisando de mais membros como você por aqui. – o xerife se acalma, e volta a se recostar em sua cadeira.
Os dois se despedem do xerife, e prometem voltar com mais noticias. Eles saem da delegacia e montam na moto de Jackman.
- “Uffa !” – Akamu pensa – Escapamos de uma agora hein ?! – afirma à Jackman, limpando o suor de sua testa.

Saindo da Delegacia, o grupo resolve ir para a Igreja, dar uma olhada no antigo local onde vivia o reverendo Joseph. São 10:30 hs. da manhã. Chegando à Igreja, eles adentram-na e avistam um homem de 1,75m, de cabelos curtos e loiros, aparentando estar na casa dos 30 anos, vestindo a batina, varrendo entre os bancos do local. Akamu chega ao padre e diz:
- Bom dia padre. Como é seu nome ? – tentando fazer uma cara simpática e de bons amigos.
O padre para de varrer, limpa suas mãos na batina e cumprimenta o jovem:
- Bom dia meu filho, meu nome é Padre Richard. Como posso ajuda-los?
- Padre, somos da policia. – Jackman retira sua antiga carteirinha de filiação à associação dos policiais do Estado. – Estamos querendo saber sobre o Reverendo Joseph, ele era desta Igreja, não era? – pergunta Akamu.
- Sim, era sim. Ele era um homem bom. Infelizmente Deus tem caminhos tortuosos para chegarmos ás suas graças, e ele desapareceu a mais de um ano. – o padre encosta a vassoura em um dos bancos, enquanto convida os dois a caminhar pela igreja.
- Ele ESTAVA desaparecido, acreditamos que tenha sido assassinado. – Akamu parafraseia sua fala, enaltecendo os sentimentos do padre.
- Minha nossa, quem será que cometeu esta barbárie? Este mundo está cada vez mais perigoso, cada vez mais as pessoas se afastam do caminho de Deus. – diz o padre, demonstrando claramente uma surpresa e indignação quanto aos fatos.
Os dois Uratha se entreolham e como se estivessem pensando igual, Jackman pergunta para o padre se eles poderiam ir até onde Joseph morava. O padre diz que sim, era na casa agregada à igreja.

Eles dão a volta na igreja e chegam na casa, cercada com muros altos e localizada no centro do terreno. É uma casa térrea, mas bem acabada e bonita. O padre abre a porta da frente e os convida à entrar. Eles entram. Chegando na sala, Jackman pergunta a quanto tempo ele vive ali e assumiu o lugar de Joseph. O padre diz que faz exatamente um ano que veio para cá, e mudou-se para a antiga casa do reverendo. Ele também pergunta se ele conhecia o reverendo, e obtém uma afirmação positiva. O padre conta que conheceu Joseph no centro de estudos religiosos de San Diego, há tempos atrás, mas não conversavam muito, pois ele era muito ocupado. O padre afirma também que Joseph, um pouco antes de desaparecer, estava agindo de uma forma um tanto estranha, era muito gentil e caridoso, mas depois foi se tornando uma pessoa amarga e cheio de orgulho. Seus fiéis começaram a ficar preocupados, mas toda vez que vinham falar com ele, ele respondia de forma ríspida, dizendo para que cuidassem de suas próprias vidas.
Jackman pergunta se pode dar uma breve olhada pela casa, e o padre faz uma cara de quem não entendeu o porquê, mas afirma com a cabeça de forma que sim. Enquanto isso, Akamu pergunta para o padre se ele sabe de alguém que tinha contato com o antigo religioso, e o padre diz que havia uma senhora que vinha a todas as missas diárias, e não faltava a nenhuma de domingo de manhã. Seu nome era Ellie Parker. Diz também que depois do desaparecimento de Joseph, ela nunca mais pisou naquela igreja novamente. Ao saber disso, Akamu pergunta também se ele sabe onde vive esta mulher, mas o padre responde negativamente a ele.
Jackman dá uma olhada pela casa, e não nota mais nenhum pertence antigo do padre, e pede para verificar o sótão da casa. O padre vai até o corredor e puxa uma corda, da onde uma escada se projeta de um alçapão, dando passagem para o mesmo. Ao subir, ele observa algumas caixas empilhadas, mas uma lhe chama a atenção. Ela se encontra aos fundos, cheia de poeira e sem sinais de que foi mexida. Ele então pergunta ao padre o que aconteceu com os antigos pertences de Joseph e o padre responde que foram todos doados para instituições de caridade da cidade.
Sem mais o que fazer por ali, eles se despedem de Richard e encaminham-se para fora da Igreja.

Eles resolvem verificar essa Ellie Parker, e procuram em uma lista telefônica em uma cabine perto dali o endereço da mulher.
Ela, segundo a lista, mora em Grover Beach, na rua 4, travessa da Avenida Farrol. Chegando ao local, eles dão de cara com uma oficina de motores de carros e motos, a MOTOROME, uma oficina relativamente grande, com grande número de funcionários trabalhando para atender os clientes que aguardam seus carros ficarem prontos. Um prédio bonito, feito com 4 portas de aço levantadas e na parte superior nota-se algumas janelas, juntamente com uma porta lateral de aço, do tamanho normal. “Provavelmente é o local onde se dá acesso na parte superior”, eles pensam.
Os dois descem da moto, encaminham-se até a porta e tocam o interfone. Apartamento 4 – Sra. Ellie Parker, está escrito. Mas depois de três tentativas, nota-se que ela não está em casa. Eles atravessam a rua, e aguardam do outro lado para ver se conseguem obter êxito em falar com a senhora que mora ali.

Passados alguns minutos, uma senhora vira a esquina da quadra, na calçada da oficina, carregando uma sacola de compras e segurando uma menina de aproximadamente 8 anos pela mão. Ela chega até a porta lateral da oficina, solta a mão da menina e começa a procurar em sua bolsa, que estava a tiracolo a chave para abrir.
Ellie é uma senhora de 50 anos, baixa de pele clara, pesando mais do que deveria, vestindo um vestido floral e com os cabelos longos e brancos amarrados por uma piranha de acrílico. Ela procurava em sua bolsa incisivamente a chave, que não conseguia encontrar e já esboçava certa raiva por aquilo.
Quando de repente a garotinha vê um cachorro de rua atravessando a rua movimentada, e para “salva-lo” corre para tentar impedir o pobre cão. Ela corre para o centro da rua e um carro está prestes a pega-la, quando no exato momento da frenagem que iria resultar em uma catástrofe, Jackman corre e agarra a garotinha com o cão em seus braços e evita o pior. O retrovisor do carro passa tirando uma fina de seu corpo, mas o motorista apenas desacelera e voltar a andar novamente como se nada tivesse acontecido.
- Filho da Puta! – Esbraveja Jackman indignado com a atitude do motorista.
- Meu Deus, Amy, já disse para você que esta rua é perigosíssima ! – chega a velha gritando com claras lágrimas aos olhos, imaginando que poderia ocorrer o pior. – Obrigada Sr ?
- Jackman – responde o Rahu olhando para a senhora e deixando a menina cehgar ao chão em segurança.
- Obrigada Sr. Jackman! Que Deus te ilumine! Como posso fazer para retribuir esse enorme feito? – a velha senhora agora faz uma cara de felicidade e alívio.
- Respondendo à algumas perguntas. – interrompe Akamu, que acabara de atravessar a rua.
- Claro, claro, mas o que eu posso ajudar? Vamos subir, eu preparo um café para nós.
Os dois afirmam com a cabeça e Ellie consegue abrir a porta da frente da casa.

Após subirem um lance de escadas, chegam a uma sala grande onde nela encontram-se algumas portas de madeiras com os números dos apartamentos.
Ellie abre o apartamento 4, e nele revela-se um lugar aconchegante, com uma cozinha na entrada e logo após a sala com 2 sofás e lateralmente ao lugar 4 portas, provavelmente os quartos e os banheiros da casa.
- Vou deixar a Amy e volto já para fazer o cafezinho. – diz Ellie, pegando Amy e levando-a consigo.
Os dois adentram ao apartamento, mas Akamu dá um passo para trás e olha para onde Ellie está indo. Ela para em frente à porta numero 1 e aperta a campainha. Um barulho é notado no saguão vindo da porta. Atendendo à porta um homem, de uns 35 anos, magro, usando um óculos de acrílico preto e cabelos bagunçados, sentado em uma cadeira de rodas recebe as duas. Amy corre para dentro e o homem agradece a Ellie por ter cuidado dela. Ela dá um leve sorriso, e pede para que ele avise o Sargento que está o esperando em seu apartamento para fazer a limpeza. Ele afirma com a cabeça e fecha a porta. Ellie caminha em direção à sua casa, e entra. Ela pede desculpas pela demora e afirma que está preparando o café. Akamu diz que não quer nada, mas Jackman aceita, dizendo que o seu pode ser adoçado com açúcar mesmo.
- Viemos aqui para perguntar à senhora sobre o reverendo Joseph Lincoln. – Akamu faz a afirmação sentado ao sofá ao lado de Jackman.
- O reverendo? Acharam ele? – Ellie se vira para os dois.
- Acreditamos que ele está morto Ellie – Jackman reintera.
- Nossa … Eu soube sim que ele estava desaparecido, mas achei que apenas tinha se mudado daqui. – diz Ellie, voltando-se para a pia novamente.
- Pois é, passamos na Igreja e o novo padre, o padre Richard disse que você era próxima a ele. – Akamu diz analisando os movimentos da velha.
- É … bom … – hesita Ellie – O café está pronto, aqui está Sr. Jackman – entregando ao Jackman uma xicara de café, recebendo um agradecimento em seguida.
- Vocês são da onde mesmo? Estão investigando o caso? – Ellie indaga os dois.
- Nós somos da policia – diz Jackman, retirando a mesma carteirinha que mostrara para o padre na igreja.
- Hum … deixe me ver isso – Ellie pega a carteira da mão de Jackman – Isso daqui está vencido Sr. Jackman – Ellie agora vira-se para os dois com um olhar de suspeita. – Vocês não são da policia coisíssima nenhuma. Digam a verdade, porque estão investigando o Joseph – muda novamente o tom de voz, agora parecendo um pouco agressiva.
- Não, não Sra. Parker – Jackman tenta consertar a situação – é que eu já fui da policia, e Joseph era um conhecido nosso, e queríamos saber o porquê do sumiço dele.
O clima é quebrado com uma batida forte na porta. Agora nota-se uma grande fechadura atrás da mesma, como se fosse um ferrolho gigante para bloquear a entrada. Ellie levanta-se, pede licença e vai abrir a porta. Quando abre, um homem alto, forte, de cabelos e cavanhaque pretos e olhos claros, vestindo uma camisa da Harley Davidson, entra no apartamento e cumprimenta Ellie. Ela diz que está tudo bem, e apresenta-o aos dois.
- Este é “Chicago Joe” – diz Ellie, deixando a porta do apartamento aberta.
Chicago Joe cumprimenta os dois, e senta-se logo a frente deles no sofá. Os dois Uratha entreolham-se e retornam o cumprimento. Então Ellie reintegra:
- E então, descobriram algo? Por que o desaparecimento dele foi um tanto quanto suspeito não acham?
- É verdade, acreditamos que ele está morto por conta dessas fotos que recebi em meu celular de uma fonte anônima. – Jackman mostra o telefone celular para os outros dois sentados em sua frente.
- Nossa isso é horrível. – Ellie faz uma cara de nojo – Deixe-me ver se tenho mais algo para tomarmos, tirando esse café. Estava com vontade de tomar algo mais forte. Quem sabe um suco ia bem ?! – Ellie diz levantando do sofá e indo até a geladeira da cozinha.
Neste momento, passos destoados um do outro são ouvidos no saguão.
- Acho que tenho um suco aqui. Vou servir para vocês. – A velha senhora pega uma jarra com um liquido escarlate e serve para os dois, levando-os em uma bandeja de aço – Pronto, está aqui, tomem, aposto que vocês gostam disso. – A Sra. dá um sorriso maroto ao entregar-lhes a bebida.
Jackman pega o suco e o apoia sobre a mesa de centro, enquanto Akamu leva-o a boca. Quando encosta o liquido em sua boca, vários odores e sabores são sentidos ao mesmo tempo, e sua cabeça fica desnorteada por um breve período de tempo. Jackman observa a movimentação de “Chicago Joe”, que no momento em que Akamu experimenta o conteúdo, ele leva a mão para detrás de seu corpo, como se fosse sacar uma arma.
Imediatamente Jackman faz o mesmo e se levanta do sofá, ao som de Akamu perguntando insistentemente o que era aquilo, e ninguém respondia. O clima fica tenso, todos se entreolhando enquanto o jovem Uratha se pergunta que merda é aquela que acabara de experimentar. A situação só piora quando pela porta aberta do apartamento surge um homem de +ou- 70 anos idade de estatura mediana e porte físico bom, com corte militar nos cabelos, mancando da perna direita, vestindo roupas casuais e carregando uma espingarda .12 com pintura cromada, entra mirando nos dois visitantes.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? ISSO DAQUI É SANGUE? ANDA, RESPONDE! – berra Akamu, quebrando o gelo do local, levantando-se também do sofá com o copo em sua mão.
- Vocês sabem o que é, não se façam de inocentes – diz “Chicago Joe”, cerrando os olhos e olhando na cara dos dois.
- NÃO SEI NÃO PORRA! – Akamu está neste momento descontrolado, e Jackman tenta dizer umas palavras no estilo calma, espera, vamos ver o que conseguimos.
O clima fica tenso e o silêncio preenche a sala por alguns instantes …
- Gente, acho que desta vez cometemos um erro – diz Ellie, olhando para os moradores do local. – Parece que eles não são da seita. Eu acredito neles. Eles dizem a verdade. – afirma Ellie, que agora parece estar mais calma e abaixando a espingarda do Sargento.
- QUE SEITA? DO QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO? – Akamu ainda demora um pouco para se acalmar, mas logo o faz e senta-se novamente, acompanhado por Chicago, Ellie e Jackman.
- Deixe-me explicar. Estamos falando de uma seita que apareceu na cidade à algum tempo. Ela causou muitas das mudanças da cidade, mais negativamente do que o contrário. – diz Ellie com um pesar nos olhos – E vejo em seus rostos que vocês dizem a verdade. Não precisavam ter mentido para mim, dizendo que eram da policia, acredito que queiram fazer o bem. – Ellie pega a jarra e leva-a até a geladeira.
- Mas esta Seita é o que exatamente? – pergunta Jackman à senhora.
- Ainda não sabemos, estamos investigando também. Parece que eles tiveram contato com o reverendo Joseph pouco antes de seu sumiço, e acredito também que estão por trás do comportamento estranho que ele apresentava antes de desaparecer. Tudo em que eles encostam se corrompe. Descobrimos que seu nome é “Doorman of Truth”, ou somente Dorman. – diz Ellie.
- Mas porque do sangue? Da onde veio isso? – Akamu indaga.
- Parece que seus membros se corrompem, e desenvolvem um gosto macabro por sangue. Detectamos alguns desse jeito, e quando isso acontece, temos que elimina-los para não sofrermos represálias. Eles podem estar perto demais de nos descobrir. – Chicago interrompe, e mostra certa preocupação em sua voz.
- Mas vocês não são normais, isso eu sei. – O homem conhecido como Sargento resmunga parado na porta. – Isso eu sei. – repete mais uma vez, virando-se e caminhando até o saguão.
- Porque não? – os dois quase juntos respondem.
- Não liguem para ele. Ele é veterano no Vietnã, e desenvolveu essa paranoia desde cedo. – Chicago Joe esboça um leve sorriso.

Os ânimos finalmente se acalmam. Todos começam a trocar informações sobre a cidade, o que revela que a seita chegara a cidade a mais ou menos 10 anos. Nesse tempo, a cidade mudou, transformou-se no que é hoje, e grande parte da culpa disso é dela e de suas maquinações. Diz também que o dono das empresas Kromus afastou-se nessa data, e quem assumiu foi Tom Baker, um presidente nomeado pelo grupo de acionistas. Fora isso, há exatamente 10 anos, a região de Pismo Beach é criada e as indústrias de Oceano começam a ganhar horrores de dinheiro em cima dos trabalhadores locais.
Ellie afirma que todos ali se ressentem com a Seita, já que todos foram afetados pessoalmente numa das incursões dela. Ela prefere não comentar agora detalhes dos acontecimentos, e levanta-se e vai até a cozinha.
É quando Jackman se lembra do símbolo que apareceu na porta do sobrado e pergunta a eles se eles o reconhecem. Chicago e Ellie dizem que não, nunca haviam visto, mas que poderiam pedir ajuda ao Dark Mage (Mago Negro). Eles se levantam, e caminham até o saguão, e batem na porta do apartamento 1. A menina Amy atende a porta, e chama seu pai, enquanto os visitantes adentram à sala da casa. O homem da cadeira de rodas sai de um dos quartos e cumprimenta a todos no recinto.
- Mago, você sabe o que significa este símbolo? – pergunta Ellie, enquanto Chicago pega Amy e leva-a para fora do apartamento, dizendo que vai lhe mostrar o novo cachorrinho que encontrou na rua.
- Acho que já vi este objeto antes, deixe-me ver em meus arquivos. – o “mago” vira-se e entra no quarto de onde tinha saído. – Venham, entrem.

Os visitantes entram em um quarto escuro, onde a iluminação da janela é quase que totalmente bloqueada por uma chapa de aço presa à janela. Apenas luzes de aparelhos eletrônicos e vários fios embaixo de uma bancada que circunda o ambiente pode ser notado. Um monitor de 32 polegadas é visto preso a uma das paredes, e as outras preenchidas com folhas impressas e recortes de jornais.
O Mago Negro acessa o computador e começa uma pesquisa que dura poucos minutos. Ele volta-se com a noticia de que este símbolo é um símbolo usado por uma tribo indígena que vivia na região à 500 anos atrás. Mais tarde, na época dos desbravadores, essa tribo foi dizimada por colonizadores vindos do leste americano, não sobrando muita coisa de sua cultura, portanto não há significado traduzido para ele ainda.
Com as respostas em mãos, os dois Uratha se despedem dos moradores do prédio, e antes de sair, o Mago entrega para eles um cartão de visita com telefone para contato e e-mail. No cartão está escrito seu nome “verdadeiro”: Jason Boiler – Analista de Sistemas.
Agora com novas descobertas e respostas, os dois decidem ir para casa para compartilhar com os outros membros os novos dados colhidos em suas investigações. São 14:30 da tarde.

Chegando no sobrado, eles estacionam a moto. A porta da entrada encontra-se entre-aberta. Um vulto passa diante da porta.

Capítulo 2 - Revelações

Temperance Jones