Capítulo 3 - Aliados, Amigos e Inimigos

Jackman e Akamu chegam no sobrado depois da primeira investigação, com a intenção de dividir os conhecimentos adquiridos com os outros membros da alcatéia. Ao chegarem em frente a varanda, notam a porta da entrada entre aberta, e um vulto passa por ela. Logo após, outro vulto passa também, deixando-os intrigados. Akamu resolve entrar para ver o que está acontecendo lá dentro, enquanto Jackman desliga calmamente sua moto, desce e verifica a varanda, acreditando serem os outros membros apenas lá dentro.

Akamu entra, e não nota nada de estranho, vai até embaixo da escada, onde localiza-se a porta para o porão e desce para ver se está tudo em ordem lá embaixo.
Quando termina de descer as escadas, Akamu ouve o barulho da porta se batendo, e logo após, a fechadura terminando o serviço. Ele imediatamente entra na forma Urshul, a forma do lobo préhistórico, e começa a tentar arrombar a porta, notando agora que a porta e a fechadura parecem ser mais resistentes do que pensava.

Neste momento, Jackman ouve o barulho dentro da casa e caminha até a entrada demonstrando certo receio, mas, quando passa pela porta, um golpe o atinge no peito, jogando-o para fora novamente. Ele recupera-se do golpe e vê parado em sua frente um homem grande e forte, com traços bem angulosos, vestindo apenas uma calça jeans rasgada e pêlos por todo o corpo, mostrando os caninos e rosnando como um animal. Ao ver isso, ele se levanta, e usando sua essência, toma imediatamente a forma de batalha Gauru, e parte para a briga com o estranho.
Ao notar a transformação de seu oponente, o estranho também começa a tomar a forma da fúria dos Uratha, e uma sequencia de mordidas e garras violentas seguem casa adentro, tornando a sala do sobrado um verdadeiro ringue de luta. Após alguns golpes, Jackman nota um segundo Gauru vindo em sua direção, saindo de trás da escada, e o atinge em cheio, ao som das batidas na porta do porão.
Akamu depois de alguns golpes, consegue quebrar a porta, e sai na sala, vendo os 2 estranhos Gauru batendo em seu companheiro. Ele investe na direção de um deles, tomando a mesma forma adotada por seus inimigos, e engaja-se no combate. A luta se segue sangrenta e mortal, deixando Jackman extremamente debilitado, mas mantendo-se de pé usando apenas sua força de vontade interior. Um dos estranhos Gauru, depois de levar uma mordida de Jackman em seu pescoço e deixa-lo quase morto, consegue fugir correndo, apesar dos ferimentos causados. O outro, após gastar todas as forças em sua forma de batalha, volta a sua forma original, e devido à quantidade imensa de ferimentos causados, desmaia agarrado por Akamu. Akamu o arremessa no porão. A luta acaba. A sala e a porta de entrada da casa está destruída. Sangue por todo o lado, destruição generalizada.

Jackman cai de joelhos, transformando-se na forma Dalu, tentando ainda manter a consciência e usando sua essência e sua força de vontade para não cair. Após alguns segundos, ele se recupera, ainda cheio de marcas e sangue, e caminha até um sofá cortado pela metade que está jogado em um dos cantos da sala e tenta descansar um pouco …

Após a briga que resultou em uma grande bagunça no piso térreo do sobrado, Jackman senta-se ao sofá, este partido ao meio, e tenta recuperar parte das forças perdidas. Akamu vai até a sala para ver como o amigo está, e vendo que ele se recupera de forma satisfatória, resolve descer no porão, onde havia jogado o invasor, para ver se consegue arrancar alguma informação do moribundo desfalecido no chão. Akamu, utilizando-se de cordas grossas e reforçadas que encontravam-se na casa, amarra o inimigo de forma que não consiga escapar, e começa a tentar reanima-lo. Jackman respira fundo e vai atrás de Akamu, pois tentará utilizar seus metodos de intimidação aprendidos nos tempos de policial para fazer o Puro falar. Pega um balde, vai até a geladeira e pega alguns cubos de gelo. Akamu, depois de alguns tapas que dera na cara do Puro, esse acorda, ainda meio desnorteado por conta dos altos ferimentos causados que ainda não foram curados.

- Vamos, diga quem são vocês ? Por que vieram nos matar ? Quem mandou você aqui ?

O Puro, que somente agora consegue fixar seus olhos em Akamu, dá uma risada sarcástica e responde com um palavrão as perguntas do Ithaeur indagador.
Jackman, carregando o balde, chega ao porão, posiciona o balde na frente do infeliz e diz: – Olá ! – imediatamente mergulha a cabeça do Puro no balde de água fria, deixando-o por alguns segundos embaixo d´agua, e retira-o gritando:

- Quem é você ? Quem te mandou aqui ?

O Puro ainda se mostra relutante e sínico, mas após algumas repetições do processo anterior revela que não importa o que fizerem, podem até mata-lo, mas para as garras do Predador Sombrio ele não voltará.

Eles ainda tentam saber mais sobre o que ele diz ser o Alfa de sua alcatéia, mas em vão. Nesse momento, um som de um motor forte na frente da casa é ouvido. Akamu deixa Jackman terminar o serviço, e sobe até a casa para ver quem chegou. Ao terminar de subir o lance de escadas, ele ouve um homem chamando pelos nomes dos Urathas residentes na casa.
Um homem vestindo um sobretudo marrom, com um chapéu vindo dos filmes de velho-oeste, está parado na varanda quando Akamu chega.

- Quem é você ? – Akamu indaga o homem com certa desconfiança.

- Olá Akamu, eu sou John Brown. – O homem responde com um sotaque vindo da região do estado do Texas. – Eu vim aqui por orientação de Max Roman, ele me deu esta carta e estes convites. – John tira de seu sobretudo uma carta e estica o braço entregando-a para Akamu, – Nela diz que vocês são novos aqui, e que Max gostaria que eu viesse fazer parte dessa nova alcatéia pela qual tem grandes esperanças. Também diz que deveriamos ir à abertura do museu antropológico da cidade, onde uma mulher chamada Eliza Courtwise é a curadora, e pode ter mais informações sobre os acontecimentos nesse tempo em que nós não estávamos na cidade.
Akamu lê a carta e esboça um leve sorriso – Bem vindo Daniel, esta é nossa casa, pode entrar. – Akamu vira-se e vê Jackman saindo do porão, enxugando as mãos em suas calças.

- Jackman, este é John, ele vai fazer parte de nossa familia agora – diz Akamu, apresentando John.
- Olá John, eu sou Jackman – Jackman o cumprimenta. – Com licença, acho que vou tomar um banho, estou todo sujo ainda. – Jackman se dirige ao banheiro da casa.

Akamu conta para John os acontecimentos passados, desde quando chegaram aqui até a invasão dos Puros na residência. John conta para Akamu que conhece um dom que permite com que a alcatéia demarque o território próximo à casa, deixando-os um pouco mais protegidos. Eles continuam conversando até que Mark chega na sala e pergunta o porquê da casa estar esbagaçada daquele jeito.

O Ithauer faz uma expressão de descontente, mas explica para Mark o que aconteceu no local. Mark explica que havia ido até a cidade comprar algumas coisas e aproveitou também para descobrir mais sobre a empresa que comprou os terrenos ao leste da cidade. Ele descobriu que a sede da empresa, chamada a Kromus Corp, fica em Grover Beach, na rua 26th com a Fair Oaks Avenue, e ocupa um quarteirão inteiro. O nome do prédio é o Highland Sky Building, e a empresa pertence à família Mackein, e o presidente atual é um homem chamado Thomas Baker. Akamu ouve atentamente as pesquisas de Mark, quando Jackman saí do banho, e mostra suas feridas, algumas ainda abertas e pulsantes, e Mark diz que pode ajudar. Ele vai até a biblioteca, pega um kit de primeiros socorros, e começa a fazer curativos no Uratha machucado.
Nesse momento chega o Irraka, que havia viajado para pegar alguns pertences deixados para trás. Todos novamente explicam para ele o ocorrido, e começam a planejar o que fazer com o corpo do Puro que encontra-se no porão. John lembra a todos do convite que Max havia mandado, e alguns decidem irem a cidade pela manhã para comprar roupas para o evento.

O Irraka, ainda indignado com a presença dos Puros, resolve seguir os rastros do outro invasor que havia fugido. Ele recebe ajuda de Akamu, que durante uma hora, celebra um ritual para os dois possam perseguir o lobisomem fujão através do cheiro e do gosto do sangue que Akamu experimentou dele em batalha. Após realizado o ritual, os dois partem em forma Urhan para seguir os rastros. Eles atravessam alguns terrenos, passam pela rodovia 101, novamente entram em alguns sítios pulando o muro, até que chegam numa estrada de terra. Ali parece que o rastro divide-se, mas há uma movimentação anormal marcada no solo. Eles decidem seguir a trilha que sobe para um pasto, atravessando uma cerca de arame farpado, e seguindo por mais alguns quilometros, chegam à um muro de alambrado com uma cerca de arame circular em cima. Akamu cava por baixo do alambrado uma passagem, e eles atravessam um monte, onde mais ao sul avistam um grande galpão, e um morro sendo explorado por máquinas enormes. Ali provavelmente é uma mina de calcário, pensam os dois. Continuando pelo rastro deixado, que agora parece ser mais espassado entre uma pista e outra, eles encontram outro muro de alambrado, igual ao anterior, mas do outro lado começa uma floresta densa e fechada, que parece contornar todo o morro onde localizam-se. Os dois Uratha passam novamente por esse alambrado, este que conta já com uma abertura forçada para cima, e adentram um pouco na floresta. O cheiro de Urathas é forte.

- Estamos em território inimigo agora – “diz” Ícaro, escondendo-se atrás de um arbusto.

- Sim, encontramos. – o Ithaeur “responde”.

Os dois, após algumas horas de investigação, descobrem o território inimigo, e resolvem voltar, pois já está noite, e com certeza estão em menor número, é o mais sensato a se fazer.
Eles retornam até o sobrado, e todos agora conversam sobre o melhor plano de livrar-se do corpo do lobisomem morto. Eles decidem leva-lo amanhã a noite, depois da inauguração do museu, que é as 19:00 hs, até o território inimigo, e deixa-lo lá pendurado em uma árvore, em sinal claro de provocação e intimidação. John então diz que amanhã vai providenciar alguns itens para que possam transportar o corpo em seu veículo.

No dia seguinte, todos vão resolver aquilo que combinaram, e quando chega o horário, dirigem-se até o museu, que fica localizado no centro da cidade de Temperance. Chegando no local, eles notam uma grande movimentação na porta do evento, com muitos jornalistas e convidados cobrindo o local. Eles adentram ao museu entregando o convite na porta de entrada e começam a dar uma volta, quando John, por meio da descrição que tinha de Eliza, consegue ve-la rodeada de reporteres e curiosos. Ela parece andar pelo museu e a cada seção que entra, explica detalhadamente o que são aquelas pinturas, esculturas, manuscritos de colonizadores e esculturas do povo indigena que morava na região à muitos anos atrás. O museu foi completamente reformado por Eliza, que trouxe em seu acervo grandes obras das culturas nativo-americanas, e sua pesquisa conta com participação de várias pessoas, historiadores das faculdades estaduais e membros de ONGS interessadas no assunto.

Akamu vai até Eliza, apresenta-se e diz se não poderia conversar com ela depois, em particular. Ela afirma que sim, mas já está na hora da apresentação oficial, aonde todos os presentes poderão lhe fazer perguntas e ela irá responde-los, um por um. Akamu agradece e se distância por alguns metros, encontrando-se com os outros e aguardando o evento começar. Logo depois, Eliza caminha até um palco montando em um dos cantos do museu, onde tem um parlatório e várias cadeiras na frente. os convidados sentam-se e começa a entrevista. Ela responde pergunta à pergunta, dizendo que o museu não teria sido possivel sem a ajuda de todos, principalmente do governo estadual que mantém as reservas mais ao norte e ao presidente da empresa Kromos Corp, Thomas Baker, e seus colaboradores, que fizeram muito comprando certas terras privadas e deixando-a retirar dali algumas importantes descobertas antropológicas. Akamu começa a pergunta-lhe sobre a questão da grande empresa ter feito isso de forma ilegal, contrariando os termos de responsabilidade ambiental do governo, mas Eliza o rebate dizendo que está tudo certo sim, e que os números e indicios que ele havia citado antes eram errôneos e caluniosos, que ele deveria se informar melhor. Akamu ainda insiste, mas logo vê que é impossivel mudar o discurso daquela mulher, e fica nervoso, levantando da cadeira e indo embora muito alterado. Ela termina de responder e continua com as perguntas dos outros convidados. O evento acaba com ela dizendo que está muito feliz, e que agora será possivel cada vez descobrir mais sobre as culturas vividas há muito tempo. Todos os presentes aplaudem e a inauguração chega ao fim, com todos caminhando até a saída.

Eliza é acompanhada por um homem grande vestindo um terno preto, e os dois começam a se dirigir para o lado norte do museu. Nesse momento, o Irraka chega até ela, e diz ser um grande fã desse tipo de obra, e que queria conversar com ela mais a respeito. John chega logo após, acompanhado por Jackman, que elogiam o trabalho dela e que são também curiosos pelos nativos que viviam ali. Ela claramente fica feliz em receber os elogios que fizeram, e pede para que a acompanhem. Ela segue até uma porta que entra em um corredor, e na porta ao fundo dele encontra-se sua sala, que contém uma grande mesa no centro, uma estante lotada de livros e algumas esculturas e desenhos nas paredes de toda a sala. Ela senta-se de um lado da mesa, e o Irraka e John sentam-se a sua frente, deixando Jackman sentado no sofá localizado na lateral dessa mesa. O segurança permanece no local, do lado de dentro da sala ao lado da porta, sem dizer nada.

Os dois começam a conversar sobre o assunto do museu, tentando arrumar um jeito de arrancar alguma coisa sobre ela, já que Max não deu nenhuma pista do que ela é e o que realmente sabe sobre os assuntos Uratha. Eles tornam a conversa muito agrádavel para ela, e ela diz que Max há algum tempo cedeu uma parte de seu acervo das Rochosas para ela, para que pudesse traçar um limiar entre as regiões indigenas. A conversa continua descontraída e leve, revelando para os ouvintes que acredita nas crenças indigenas e que tudo pode sim ter um fundo de verdade, mas houve um momento em que ela esboçou discretamente uma feição de preocupação quando o Irraka menciona o fato de querer acampar ao norte, perto do monte, que ela diz que era sagrado para os indigenas, que hoje é ocupado pela empresa Kromus Corp. Eles notam receio em sua voz, revelando que ela sabe de mais coisas. Quando a conversa parte para afirmações de coisas estranhas ocorrendo na região, ela retira de uma gaveta uma pasta com o emblema do hospital geral de Temperance. Nesta pasta existe um calhamaço de folhas, contendo imagens de oito cadáveres, que ela diz terem sido encontrados no prazo de dois anos. Eles apresentam sinais estranhos, como mordidas e lacerações não comuns. Grande parte das mortes foi dada como sendo ocorridas por animais silvestres, mas existem alguns pontos da cidade onde é obvio que nenhum deles entraria ali. Todos acham realmente estranho, e dizem para ela que vão ver algumas coisas, e que com certeza voltarão para compartilhar informações. Eles também oferecem seus serviços, mas ela diz que tudo ou é com o governo, ou com a Kromus, deixando com eles o telefone do departamento pessoal da empresa. Ela também fornece ao Irraka o telefone do psiquiatra da cidade, que é diretor-geral do ramo no hospital de Temperance, depois que esse diz ter perdido a memória algum tempo atrás. No final da conversa, eles agradecem a hospitalidade e a agradabilidade do papo, e despedem-se, retornando para o sobrado.

Chegando até a casa, todos decidem ir até o território inimigo para livrar o corpo do falecido Uratha. Somente Mark diz que não vai, pois prefere ficar de guarda na casa, e que se houver algum problema, liga para os outros. Eles aceitam e entram no carro, deixando o cadaver no porta-malas do Mustang antigo.
Rodando por uma estrada de terra que segue contornando um dos terrenos da grande empresa, eles chegam no inicio do território rival. Eles descem do carro, pegam o corpo e as ferramentas e encontram uma árvore perto dali, que serviria para pendurar o corpo. Eles iniciam o serviço, deixando John de vigia com sua espingarda, enquanto o Irraka e Jackman penduram o corpo na árvore. Akamu sente uma leve brisa silvando, e bate em sua nuca, causando um arrepio. Todos sentem o mesmo. Akamu utiliza-se de seu poder augural, e consegue enxergar o que acontece nesse mundo e no Mundo das Sombras. Além disso, ele também, por conta de seu esforço, consegue ouvir e usar seu olfato para os dois mundos. Ele detecta alguns lobos de coloração esverdeada e espinhos em alguns pontos de seus pelos, saindo de dentro da floresta mais a frente. Quando que de repente uma raposa, espirito-raposa na realidade, sai de dentro da floresta e corre na direção dele. Os espiritos-lobos começam a correr, perseguindo a raposa, e passam por Akamu, que vira-se tentando acompanhar os movimentos da caçada. Os Urathas continuam os trabalhos quando um uivo alto e conotando alerta corta a noite, silenciando as criaturas que vivem na floresta.
John, mirando sua espingarda para a mata, avista 2 olhos que brilham à luz da lua dentro da escuridão.

- Vamos rápido galera, eles já nos viram ! – dá o aviso aos companheiros, que olham para a floresta e terminam o serviço. Os membros da alcatéia correm para o carro, que Daniel acelera e vão em direção à cidade novamente. Quando pegam a estrada, John mexe no retrovisor do veículo, e vê uma figura humanóide grande parada no meio da estrada de terra, e mais oito pares de olhos nos arredores logo atrás deles. Todos viram-se, mas o carro já distancia-se, deixando as criaturas para trás.

Chegando à casa, todos começam a planejar como lidar com uma alcatéia Pura, de aproximadamente nove membros, extremamente bravos pela invasão do território e pela barbarie cometida com um de seus membros.

Ao retornarem ao sobrado, a alcatéia começa a refletir sobre os últimos acontecimentos. O Irraka resolve ir pela manhã atrás de itens explosivos, caso os Puros tentem uma invasão na casa. Akamu resolve dar uma olhada em alguns rituais, ver se consegue mais informações sobre os Puros e de algum possivel ataque iminente. Mark vai para a cidade comprar alguns itens para a casa, e John Brown lhe empresta seu cartão de crédito para que faça as compras. O Irraka mostrava-se um pouco inquieto durante a madrugada, e quando Jackman o indaga o motivo, o Uratha diz que está com receio de que os Puros os ataquem ainda hoje. Jackman faz um sinal com a cabeça, e Akamu diz que acompanha o Irraka na vigia da noite. John lhe joga sua Winchester, e diz para que eles o acordem caso algo aconteça.
Ao contrário da preocupação d´Aquele que Caça nas Trevas, a noite e a manhã são tranquilas. Quando todos acordam, se reunem na cozinha, e cada um depois de descansar um pouco vai fazer aquilo que haviam combinado na noite anterior. Jackman e John começam a discutir planos de defesa, os nervos de todos estão a flor da pele. Akamu sugere que se o lócus estivesse ativo, poderiam ter alguma vantagem na possivel luta. Os dois membros da alcatéia então tem a idéia de irem até o terreno da Kromus Corp., aquele pelo qual o Irraka e Akamu passaram antes de entrarem no território inimigo Puro no dia anterior. Segundo a empresa de poços que Akamu entrou em contato, é naquelas terras que possivelmente se origina a nascente do lençol de água que abastece os poços da região onde moram.

Jackman e John partem então para o leste, acima da rodovia, em direção à propriedade da grande empresa. Chegando no local, deixam o carro estacionado na estrada de terra lateral do terreno, mudam para a forma Urhan (lupina), e começam a procurar uma entrada, que logo acham, aquela que fora cavada pelos dois amigos no dia anterior. Ao adentrarem no terreno, chegam no ponto da onde se vê o vale em que se observa um grande galpão, que processa o calcário retirado na montanha que fica do extremo oposto, que parece cortada já por conta da rápida exploração do minério. Atrás da montanha, ainda tem o outro lado da floresta, onde a cerca de arame invade alguns metros mata a dentro. A guarita de entrada fica a leste, seguida por uma pequena estrada que desenboca na rodovia 101. Eles também conseguem observar espalhados pelos campos 3 pares de quadriciculos, cada um com um segurança com uniforme da empresa. Os Urathas resolvem investigar mais a fundo o estabelecimento, e começam a se esgueirar nos campos até o galpão, fugindo das vistas dos seguranças. Chegando ao galpão, eles dão uma espiada no portão central, aonde maquinas colossais entram e saem carregando as pedras brutas do calcário, onde elas jogam as rochas em maquinas que as espedaçam em tamanhos menores e carregam para as industrias em Oceano processarem. Após uma rápida olhada nos arredores do galpão, descobrem uma porta nos fundos, mas Jackman não percebe que a camera de segurança o capta, é então quando John a observa, e os dois correm para a frente do galpão novamente, e entram com tudo, escondendo-se abaixo da escada que leva para os escritórios na parte superior do galpão que fica mais a direita da área interna, oposta as maquinas que ficam na extrema esquerda do ambiente.

Eles tentam se esconder, mas uma mulher, vestindo o uniforme central dos trabalhadores, que consiste em um macacão de cor cinza, alguns usam vermelho, uma máscara de proteção para o nariz com viseira e capacete, olha por baixo da escada e ve os dois se enfiando o maximo que podem embaixo dos degraus. Ela tira um comunicador de seu bolso e avisa a segurança que foram invadidos de novo por cães silvestres vindos da floresta. John ainda tenta um contato amigavel com a moça, saindo de seu esconderijo e fazendo cara de bons amigos na forma de lobo, que em seu caso lembra mais um coiote. Mas alguns segundos se passam, e uma dupla de seguranças, um mais velho, aparentando por volta de 40 anos, meio fora de forma e baixo, e o outro bem mais jovem, na casa dos 18 anos, também trajando o uniforme de segurança, chegam no local. O mais velho, Leon, ordena para que o mais novo, Andrew, busque as varas de captura. Mais algum tempo se passa, e o jovem trás consigo as varas de captura, aquelas longas hastes que tem um cabo de aço em formato de argola em sua ponta, usada para capturar seres silvestres e que mostrem pouca periculosidade. O velho segurança consegue laçar, mas não prender o lobo John, mas em uma ação conjunta, Jackman sai de seu esconderijo correndo, passando entre as pernas do agressor e desequilibra-o, soltando a haste e John segue seu companheiro rumo ao lugar de onde entraram a toda velocidade. Chegando perto da cerca, veêm os seguranças acompanhando-os de longe, e logo que passam, os seguranças chegam, ordenando pelo rádio a equipe técnica para repararem o buraco feito. Os dois seguem em direção ao carro, e John transforma-se em Hishu, ser humano.

- Vou dirigir até a portaria e dizer aos guardas que perdi um animal treinado nas redondezas. Vou dizer que você é um deles, Jackman, e que o outro eu não consegui recuperar ainda. Se eles virem o outro, que na verdade sou eu, que me infiltrarei denovo e tentarei subir até os escritórios, é só eles dizerem algumas palavras de comando que passarei a eles e pedir para ligarem em seu celular, ok ?! – John vai dizendo seu plano enquanto pega o caminho até a portaria da mineiradora.

Jackman, ainda na forma Urhan, acena com sua cabeça lupina. Poucos instantes depois, John chega na portaria, que conta com uma guarita de alvenaria e uma cancela em sua lateral. De dentro dela sai um segurança da Kromus e pergunta: “Boa tarde, em que posso ajuda-lo?”. – “Olá, meu nome é John, e eu estava andando com meus animais treinados na região, mas eles encontraram alguma coisa e sairam correndo. Não vi para onde foram, mas consegui recuperar um perto daqui. O outro também é treinado, e responde a comandos básicos, mas se virem ele por aqui não se preocupem, ele é manso. Me ligue neste número caso encontrem-no, ok ?!” – John retira de seu casaco um cartão com o número de celular anotado no verso. O vigia faz um sinal de afirmativo, e informa-o que está imediatamente passando um rádio paras as patrulhas, e que parecem terem seguido os 2 animais mais a oeste. John agradece e entra no carro novamente. “Acho que eles engoliram essa” – O texano dá uma risada de satisfeito.

Eles voltam para o local de onde saíram, mas desta vez Jackman fica no carro a alguns metros do local original, fazendo com que John tivesse de andar mais adentro ainda, abrir um novo buraco e entrar no terreno da Kromus. O Uratha entra no terreno e novamente segue sorrateiro até o galpão, conseguindo entrar sem que nenhum funcionário o veja, e sobe as escadas correndo. Chegando no final da escada, depara-se com uma porta fechada, mas de maçaneta reta, permitindo com que ele a abri-se com sua boca. Ao fazer isso, ele vê um escritório com uma mesa no canto, um sofá lateral, uma porta na parede do fundo e um mural atrás de uma pessoa, na realidade uma mulher de meia idade vestida socialmente e sentada na cadeira olhando fixamente para o visitante lupino. Ela afasta a cadeira e com um gesto tremulo e medroso pega um comunicador em sua mesa. John ainda tenta fazer charme, deitando no sofá e fazendo cara de bons amigos, mas em vão, a mulher estava apavorada. Minutos se passam, e o mesmo velho que o havia pego uma hora atrás está parado na frente da porta com a vareta em mãos. John desce do sofá e tenta mostrar-se dócil, mas o segurança fica acoado, e começa a dar passos para trás enquanto John caminha para frente na direção do segurança.

Quando por um momento, em uma falha de pisada, o segurança tropeça e cai de costas na escada, rolando descida abaixo, parando somente no inicio na escada, com um corte na nuca e inconsciente. O segurança mais jovem, Andrew, observa a cena, e achando que o lobo havia atacado seu companheiro de profissão, investe para cima do animal, laçando-o e prendendo-o à haste. Ao som de muitos palavrões e xingamentos, ele arrasta o Uratha para fora, que prefere não causar mais transtorno e mantem-se dominado, para o estacionamento na frente da guarita da empresa. O jovem põe o lupino no banco de trás de uma viatura, tipica americana, mas com o simbolo da Kromus, e dirige para fora da empresa. Ao passar pela guarita, o guarda diz que conhece o animal, mas o jovem nem lhe dá ouvidos, arranca com o carro estrada adentro, e pega a direção da estrada de terra que leva para o leste da cidade. Nesse momento, Jackman que agora está em sua forma natural, ouve um barulho de carro na estrada atrás dele, mas não acha importante e ainda aguarda o companheiro voltar com informações do galpão.

Andrew leva John até o começo de uma montanha, passando pelo território Puro novamente. “Cacete, tenho que sair daqui” – John pensa, com medo de aparecerem os lupinos rivais a qualquer momento. Andrew para o carro. Desce nervoso e ainda soltando muitos palavrões. Abre a porta da viatura e grita: “Vem!”. John nem dá ouvidos, e permanece sentado no banco de trás armando um plano de sair daquele território o quanto antes. O segurança grita novamente, sem sucesso. É quando ele tenta puxar o animal pelo pêlos, mas John desvia-se e tenta escapar do carro, mas como Andrew bloqueava a porta do carro com seu corpo parado na frente, ele acaba dando uma cabeçada no punho do segurança. Ele muito bravo, saca sua arma e deflagra 3 tiros em John. Apenas 2 acertam John de raspão, e um atinge o banco do carro. Andrew fica obviamente nervoso, como ele vai explicar para seus superiores um furo de bala no banco do carro, e tenta disparar novamente, mas desta vez, por um motivo claro apenas para o Uratha, a arma emperra. O jovem fica mais nervoso ainda, tirando-o do sério, e ele joga a arma no lobo de tanto ódio. O lobo desvia-se, e a arma atinge a janela do outro lado do veículo, estilhaçando-a e abrindo uma passagem para John poder fugir. John pula pela janela e começa a correr estrada abaixo, torcendo para que os Puros não detectem seu cheiro. Ele corre quase um quilometro, até que o carro viatura se aproxima, e instantes depois emparelha com ele e o segurança faz alguns gestos obcenos antes de arrancar com o carro e acelerar levantando uma grande nuvem de poeira. Chegando no carro, John vira humano, e conta sua aventura fracassada para Jackman. Os dois decidem pegar a estrada novamente dirigindo o carro em direção ao sobrado, e quando percorrem alguns metros, ouvem uma voz vinda do banco de trás do Mustang Negro.

- “Mas já desistiram ?” – os dois viram-se para trás assutados, e veêm uma silhueta de um animal translucido parecendo a raposa vista na madrugada daquele dia. – “Vocês estavam indo tão bem, até achei que poderia passar para esse lado pelo território de vocês, mas vejo que estava errada” – o espirito-raposa diz com um tom sarcástico. -“Quem é você ? O que quer ?” – Jackman e John reagem à fala do espirito. “Quero que vocês liberem o lócus, e estou dando-lhes a dica de onde fica para fazerem as coisas ficarem como antes. Querem saber o que impede o lócus de funcionar? Vão até o topo da montanha explorada pelos humanos. Lá encontrarão o motivo do problema …” a raposa se desfaz em um líquido incolor.

-“Caramba, vamos lá novamente …” – Jackman resmunga, mas ainda com uma esperança nova de resolver o problema. Ele dá meia volta no carro e volta aonde haviam parado a poucos minutos. Descem do carro, assumem a forma Urhan e adentram no terreno, mas desta vez, preferem seguir dando a volta no terreno, chegando no extremo oposto onde fica a montanha explorada. Chegando lá perto, no topo da mesma, a montanha revela-se estar em 2 pedaços, partida como um bolo de aniversário e puxada para o lado, criando uma “passagem” central. Nessa passagem existe uma cratera imensa. É uma cratera de mais ou menos 10 metros de diametro por 10 metros de profundidade, com as laterias em leve caimento para dentro ( \_/ ).
No fundo dessa cratera, encontra-se uma água limpida, mas aparentemente bem funda.

Jackman e John resolvem ser mais invasivos, e mudam para a forma Urshul (lobo atroz), e imediatamente pulam na cratera, caem na água e começam a nadar, procurando algo, e chegam a descer mais ou menos 10 metros de profundidade. A água, a medida que vão descendo, vai ficando mais escura, e nessa profundidade,mal dá para ver a luz que entra pela superficie. Os dois Urathas param de descer e nesse momento notam que água fica com uma consistencia gelatinosa. Quando resolvem começar a subir, pois o ar está acabando, uma voz ecoa em suas mentes:

- Olá Urathas, como é bom receber a visita de seres como vocês. – John e Jackman entreolham-se, e John começa a tentar uma comunicação.

- Nós somos novos no território, e nosso lócus está desativado. Você é o responsável ? – John indaga a misteriosa voz em sua mente.

- Estou aqui nesse território a muitos anos, e me alimento da ganância dos homens, seus desejos se realizam, e com isso migro pelos lençóis a busca de desesperados. – a voz diz com tom de superioridade.

- Você então realiza desejos ? – Jackman pergunta.

- Não, eles se completam sozinhos, a mente humana é mais poderosa que vocês pensam. Apenas dou uma forcinha deste lado. – uma breve risada é ouvida pelos dois.

Neste momento, a água começa a transforma-se em algo parecido em textura com lama, e algumas moedas, de diversos lugares é vista no lago. Os dois começam a tentar a nadar para a superficie. O ambiente começa a difilcultar a locomoção. O ar começa a ficar escasso. Os dois começam a fazer uma força fenomenal para subir. É quando um carro do modelo Cadillac da década de 50 de cor vermelha passa na frente dos dois boiando.

- Não vão ainda, quero que vocês fiquem aqui para sempre, me façam companhia ! Sua essência é importantissima para mim.- a voz os confunde em suas mentes.

Eles na forma Urshul lutam para se desvinciliar da gosma que cobrem seu corpo, e essa gosma começa a tomar uma cor enegrecida. a visão fica prejudicada. John logo nota que aquele liquido parece muito com o que tem em algumas partes de seu estado. “Petróleo !” – sua mente consegue dizer enquanto luta para sobreviver. Faltam ainda muitos metros, e o ar já acaba. As forças começam a escapar, o óleo é mais forte. A morte é certa. Está tudo acabado.

Quando no último impulso de vida, os dois conseguem chegar a superficie, puxando o ar com toda a força, tentando respirar o máximo que podem. Eles nadam até a borda da cratera e a escalam. De volta ao topo, voltando a forma original dos dois, que estão ensopados de petróleo, John ainda tenta acender todo aquele poço com fogo, mas se vê sem isqueiro ou qualquer outra coisa que possa fazer-lo. Logo desistem da ídeia. Caminham até o carro, e seguem em direção ao sobrado. Agora sabem o que está desviando a essência alimentadora do lócus. O espírito revelara seu nome: Kiathu.

Chegando no sobrado, encontram com todos os outros membros. Depois de explicarem tudo o que descobriram, o Irraka diz que conseguiu alguns materiais interessantes para fabricar, e Akamu descobre que os espiritos da região, que antes eram escassos, agora aglomeram-se em volta do território. Ele descobre que os espiritos ficam só observando, como quem espera alguma coisa. “Algo muito importante irá mudar esta noite nos dois mundos” – Akamu repete as palavras de um espirito que estava no portão do sobrado a poucos instantes atrás. É quando a campainha toca, e quando Jackman atende, é uma entrega para Akamu. Um livro pequeno, de capa mole e preta sai de dentro do envelope puxado por Akamu.

- O que é Akamu ? – John pergunta.

- Parece um livro de conhecimento. Algo relacionado com rituais. Isso emana uma força diferente. Ainda não sei direito. – Akamu responde foleando rapidamente o livro com olhar preocupado.

- Mas da onde é ? Quem mandou ? – Jackman pega o envelope jogado no chão, procurando o remetente.

Eliza Courtwise – Museu Antropológico de Temperance
R 13th com 22th – Grover Beach 02549-012
Temperance – CA

Capítulo 3 - Aliados, Amigos e Inimigos

Temperance Jones