Capítulo 4 - Bárbaros aos Portões

… uma leve brisa bate na janela. A sombra do sobrado é projetada por cima da garagem, graças à meia-lua que brilha no céu esta noite. Enquanto uma noite aparentemente tranquila segue-se do lado de fora, a alcatéia discute com vontade dentro da casa. O assunto é o de se esperar, como sobreviver à ira de nove lobisomens das tribos puras? Cada membro expõe seu ponto de vista. O fim não parece ser tão rápido. O clima exalta-se ainda mais quando Ícaro, o Irraka d´Aqueles que Caçam nas Trevas, sugere que o melhor jeito seria atrair a tribo pura para o sobrado, e derruba-lo usando bombas caseiras, que ele fez usando os produtos comprados na tarde de hoje. Akamu, o Ithaeur Senhor das Tempestades, diz que não irá causar danos em seu território á toa, que se for pra destruir a casa, teria que ser para matar TODOS os puros, e não apenas ser apenas uma armadilha que com certeza não irão causar mais do que alguns arranhões. Ícaro ainda tenta argumentar, e John entra na conversa acompanhado por Jackman para expor e tentar consertar as coisas entre os dois Uratha. É quando Akamu se exalta de vez, e levanta-se de sua cadeira, fazendo com que Ícaro, sabendo que seu companheiro é o (pelo menos por enquanto) Alfa, fique em silêncio, e este se levanta e sai pela porta. Os outros ainda tentam armar alguma estratégia, e ficam bolando planos de como pega-los em desvantagem.

Ícaro, ainda meio alterado por achar seu plano a melhor solução, parte em sua forma lupina para o centro da cidade, pegando a estrada 101 em direção à Farrol Avenue para esfriar a cabeça. Ao caminhar por dois km, os pelos de seu corpo eriçam-se, deixando com uma sensação de calafrio. Imediatamente ele tenta se esconder das luzes dos postes daquela avenida vazia e sem movimento. Um carro passa por ele em baixa velocidade, e ele apenas analisa os movimentos do veiculo. Logo este passa, e continua seu trajeto, virando algumas ruas à frente. O Uratha abandona seu esconderijo, e continua seu caminho. Mais alguns metros à frente, a sensação volta, agora mais forte. Quando vira-se, o mesmo carro vem em sua direção, e freia à poucos metros, parando por completo. Ícaro decide manter-se parado na avenida, e o motorista do veiculo abre a porta. Uma pessoa desce e começa a dar ordens para que saia da rodovia. O lupino tenta, em vão, estabelecer contato com o humano, que fica com claro receio, e entra no carro novamente e sai a toda velocidade. “Que merda.” – pensa Ícaro. Mas desta vez, a sensação de calafrio mantem-se ativa. Algo está errado…

Ícaro usa seu faro, e imediatamente começa a correr. Ele detectara o cheiro de sua raça, e é óbvio naquele momento não ser de nenhum companheiro. O lobo corre a toda, quando de um lugar escuro sai um lobo bem maior que ele, cheio de dentes em sua bocarra aberta, com dentes tão grandes que refletem a luz da lua. Ícaro parte desesperado para voltar ao sobrado, quando mais a frente é quase atingido por outro lobo atroz, que desta vez revela olhos brancos como a neve e apenas sua pupila é notada quando desvia-se do ataque. O caminho parece não ter fim, e Ícaro começa a deixar os lobisomens para trás, mas sabe que não pode vacilar, senão vira picadinho de Uratha.

A alcatéia ainda está reunida na sala do sobrado, enquanto John coloca as ultimas coisas do pessoal no carro, caso precisem fugir, estarão preparados. Quando entra na sala novamente, ele vê de relance pela janela uma figura humanoide parada em frente ao terreno. Uma olhada a mais, e logo vem em sua mente a figura que ele havia visto no dia anterior na estrada, no território inimigo. Agora um colar feito de pequenas peças que brilham é notado no grande Uratha em forma Dalu. John imediatamente chama os companheiros, Jackman, Akamu e Mark, que veem a figura também. “Chegaram” – todos pensam.

Ícaro corre desesperadamente por sua vida, perseguido pelos seus algozes, e chega até a rua da casa. Ao virar a esquina, no meio da rua, exatamente em frente ao sobrado, o Predador Sombrio aguarda-o apenas iluminado por parte da luz do poste, que parece desviar-se de seu corpo. Ícaro engole a seco, sem parar um instante, e pula na chácara vizinha, atravessando o terreno e pulando por sua vez em seu território, já olhando um lugar para se esconder.
John pega sua arma, acompanhado por Jackman e Akamu, e vão pra varanda. O monstro nota a porta da frente abrindo-se, e vira sua atenção para o sobrado. Os três Urathas disparam suas armas contra ele, mas ele encontra-se numa posição muito longe, e apenas um tiro dado por John o acerta de raspão. É o exato momento em que chegam a toda velocidade mais dois lobisomens em forma Urshul, perseguidores de Ícaro, que param um de cada lado de seu mestre e parecem aguardar somente um comando.

Nem um segundo se passa, e o grande Dalu grunhe alguma coisa, que Akamu entende ser algum dialeto derivado da Primeira Língua, e os dois Urshul invadem o terreno, investindo para cima da alcatéia. Eles partem em direção ao Mustang parado em frente à casa, e adentram ao carro. John dá a partida no carro, quando uma pancada violenta no paralama esquerdo tira o carro de sua direção original. Os lobisomens começam a disparar contra o Puro, e assim que acertam alguns tiros, o teto do carro vem abaixo, amassando-o e forçando seus ocupantes para baixo, e garras enormes rasgam a lataria do veiculo do Mestre do Ferro. John fica furioso, e começa a descarregar sua arma em cima, ou melhor, por baixo do Puro que estava em cima do carro, este que ao receber tiros vindos de baixo, rasga o teto e joga-o para trás, revelando-se assim uma criatura gigantesca e sedenta de sangue.

Ícaro, que havia pulado o muro do terreno, prostrasse na grama e rasteja até a garagem, aonde vê uma dupla de Dalus carregando cada um uma lança feita de madeira com uma lâmina estranha na ponta. Essa dupla caminha em direção à parte dos fundos da casa. O Uratha escala o teto da garagem, e vê a confusão toda. Uma nova dupla acaba de pular o muro também, mas desta vez do lado contrário da casa, também em forma Dalu carregando aquela lança estranha. Imediatamente ele pula em direção a casa, e consegue se segurar em uma das janelas do segundo andar transformando-se em Dalu. Ele entra na casa, corre para a cozinha e pega o botijão de gás da casa, voltando rapidamente para o andar superior e pegando também as bombas caseiras que havia feito na tarde deste dia. “Vai ser uma festa e tanto” – Ícaro pensa esboçando um leve sorriso, não sabendo distinguir que emoção exatamente está sentindo. Quando estava quase acabando, a porta da cozinha é arrombada, e sons de passos são ouvidos vindos do andar inferior. Ele vai o mais rápido que pode, e ao terminar, põe o gatilho da bomba – Uma bala .44 da arma de John na boca de entrada do botijão.

A alcatéia está encrencada. Os dois lobisomens estão destruindo o carro de John. Praticamente presos dentro do interior do veículo, eles disparam suas armas tentando derrubar o Puro causador da pancada que encontra-se no teto. Isso é quando John consegue arrancar com o carro, e desestabiliza o Puro, que abre sua guarda e John acerta um tiro de .44 em seu maxilar, que atravessa seu crânio e cai rolando no chão do território. Os Destituídos forçam agora o que resta do teto para cima, enquanto John vira o carro, pisa fundo e acelera o carro de encontro ao outro Urshul que estava no meio do terreno, atropelando aquele que havia caído poucos segundos atrás. Ao ser atingido por John, ele rola desnorteado para o lado, ainda um olhar de ódio é notado em seus olhos cor de neve.

Ícaro está esperando somente o melhor momento para agir. Os dois Puros invasores começam a subir as escadas, e Ícaro diz – “Parados aí, ou eu estouro tudo”. Os Puros nem dão ouvidos ao Irraka, e partem em investida para cima dele, subindo as escadas como se competissem por comida. O membro da alcateia ao ver a cena, posiciona-se logo em frente a uma das janelas e com um olhar de missão cumprida e um sorriso malicioso em sua face, bate com toda sua força no topo do botijão de gás, acertando a bala e disparando-a, causando uma explosão espetacular, daquelas dignas dos filmes de Rambo, de Silvester Stalone.

John dá um cavalo de pau no Mustang, e ao virar-se para repetir a manobra, uma grande explosão é vista em sua frente. O sobrado voa pelos ares, jogando estilhaços de madeira flamejantes para todo lado. Destroços caem por todo terreno. Uma estaca atinge o braço de John e um passa raspando na cabeça de Jackman, que grita um palavrão. Todos ficam desnorteados por conta do deslocamento de ar, mas Akamu que havia descordado de Ícaro quanto aquilo, agora só consegue levantar a cabeça e procurar o que havia restado dos inimigos. O Urshul inimigo que estava de costas para o sobrado, virado ainda olhando aquele fenômeno, é surpreendido por uma garrada na cara. Akamu em forma semelhante ao do Puro não espera nem o lobisomem rival se recuperar da primeira e desfere outra garrada, que desta vez atinge uma veia importante, ferindo mortalmente o Puro, que tenta segurar o sangue dentro de seu corpo, sem sucesso.

Todos descem do carro, e continuam olhando aquela cena. Quando de trás de casa destruída saem aquela ultima dupla que havia pulado o muro. Eles aparentemente estão feridos, com todo o lado esquerdo queimado e debilitado. Mesmo assim, Jackman assume a forma de batalha Gauru e investe em direção aos inimigos. Ele dá um salto que cai em cima de um deles, ferindo-o mortalmente com suas garras, mas ao virar-se, recebe três cortes da lança que o outro Puro carregava. À medida que os cortes são feitos, Jackman sente uma dor horrível em sua alma, e os ferimentos vão cicatrizando como se cauterizassem com fogo. Jackman sofre ferimentos terriveis, e sua cicatriz ainda não curada também reabre, deixando-o quase incapacitado. John dispara suas. 44 no lobisomem remanescente, e o atinge na cabeça, derrubando o último Puro avistado. O grande Dalu Alfa não está mais em frente ao terreno.

John começa a procurar por Ícaro. É provável que esteja morto dentro da residência. Suas esperanças são reduzidas. Um pesar é sentido em seu coração. Mas ao chegar perto da garagem, vê o amigo sentado na grama, totalmente sem noção de tempo e espaço, com gravíssimos ferimentos por todo o corpo. Ele pega o amigo no colo e leva-o em direção ao carro. Jackman então vem ajudar John, e auxilia-o a coloca-lo no carro, para que Mark vá dando uma olhada nos ferimentos do Irraka. Jackman também ferido, avista Akamu terminando o serviço nos lobisomens que ainda agonizavam no pátio da casa.

Depois de terminar com todos, Akamu vai até o carro também, e pede o celular de Jackman emprestado, que o entrega sem perguntar nada. Akamu faz uma ligação:
“Chicago ? Aqui é Akamu, estou indo pra aí …”
Com John ao volante, a alcatéia parte em direção à MOTOROME.

Capítulo 4 - Bárbaros aos Portões

Temperance Jones