Uma Biografia

Dias de Luta, Dias de Estranhos

Abandonado na porta de um orfanato, criado por padres e freiras, aonde aquele ambiente nunca me foi satisfatório, me sentia vivendo uma mentira por traz daquelas paredes. Aos 10 anos fugi sem olhar para traz, fugi sem culpa, fugi como se fosse o certo. Vivendo instintivamente nas ruas, roubando comida, insegurança a cada noite, porém nunca cheguei a reclamar dessa vida, gostava desse modo de viver, me sentia vivo, seguir os instintos de ser humano.

Já com 15 anos, estava esperando um momento certo para roubar um senhor que aparentava seus 45 anos, enquanto aguardava ele comer, sentado em um banco de uma praça, analisava tudo que ele tinha que eu pudesse consumir ou usar. Ao término de sua refeição, levantou-se e adentrou mais a fundo a praça, quase que como se quisesse ser assaltado. Cada vez mais perto, cada vez mais próximo, conseguia até sentir teu cheiro e quando ele deixa seu guarda-chuva cair, ao se agachar, é este o momento, numa investida saio dos arbustos correndo em direção a ele, num movimento quase que natural, ele me derruba com um gancho, saindo de não sei onde, apenas senti uma pedra amortecendo meu queixo.

Estou ali parado no chão, com um simples golpe, paralisado, ainda tentando entender a situação do que acontecera.

Velho: Como se chama criança?

Ele dirige sua palavra a mim, aquele senhor de rosto quadrado, como se fosse moldado através de muitas pancadas que já tivesse levado, porém ele tinha um semblante calmo, de paz de espírito, compreensivo, olhar determinante e penetrante.

Gabriel: Me chamam de A Sombra do Parque

Velho: Não te perguntei como as pessoas te chamam, mas sim qual foi o primeiro nome que lhe deram ao seu nascimento…Imbecil!

Gabriel: Me chamavam de Gabriel no orfanato seu velho retardado – Já limpando o sangue da boca com a gola da camiseta suja

Velho: Que nome de viado! Você não tem nada a ver com anjos seu merda! Venha comigo, te darei casa e comida, em troca quero disciplina.

Gabriel: Eu já tenho casa e comida, não preciso de ajuda de ninguém, muito menos de um velho decrépito como você!

Velho: Me admira uma criança das ruas ter um vocabulário! Tome esse papel, nele tem meu endereço, caso mude de ideia sabe como me encontrar.

Não sei porque, mas algo nele me chamou muito a atenção, eu quis ir junto, porém meu orgulho não deixou.

Um Amigo, Um Silêncio

Estou junto a um possível amigo das ruas, que acabei salvando, estava se afogando em um lago perto de onde passara. O chamo de Pescador, pois não sabe nadar e numa tentativa de pegar um peixe acabou caindo no lago e ainda por cima é mudo.

Estamos andando pela rua a noite quando vemos em um dos becos de Temperance, uma senhora sendo estuprada, ninguém estava por perto para salvá-la muito menos para pedir ajuda. Pescador quis de todo modo tentar ir ajudá-la, mas eu não queria deixar, pois além de ser perigoso, poderíamos nos meter em encrenca maior, e esses tipos de coisa acontecem o tempo todo, pego ele pelo braço e o arrasto para longe de lá. Quase saindo daquele local, ele escapa e vai correndo ajudar a mulher que já estaria morta a essa altura. Corro o mais rápido para alcança-lo, mas ele sempre foi mais rápido que eu, chego ao beco e vejo o um Assassino…..uma Vítima….e um garoto sendo espancado, pego o primeiro objeto pontiagudo e maciço, encontro uma barra de ferro, meio pesado, mas ainda assim consigo manejá-lo e numa investida desesperadora vou pra cima dele.

Gabriel: Largue ele seu filho da puta!

Tento acertá-lo direto na cabeça, mas ele segura a barra com uma das mãos como se não fosse nada.

Assassino: Este é seu amiguinho, pedaço de merda? Agora que vocês viram o que eu fiz, terei que fazê-los sumir.

E assim ele me bate com a barra de ferro na cabeça, me atordoando!


…..
……….

Uma dor de cabeça que jamais sentira até hoje, ainda meio zonzo, acordo pendurado com as mãos presas com corrente como se fosse carne de açougue, ao som de um esmeril ligado, afiando algo….algo como um cutelo.

Gabriel: Quem é você seu maníaco e cadê meu amigo?? – Ainda meio atordoado, porém já com noção do que acontecera mais cedo.

Assassino: Bom dia sunshine! Dormiu bem? Seu amigo não é muito de falar não é? Então dei-lhe alguns castigos para aprender a se comportar direitinho! Olhe atrás de você.

Meu coração disparou, era como se o tempo tivesse parado naquela hora, sentia cada respiração minha, senti um medo, uma agonia, tudo antes de me virar para ver o que aconteceu com Pescador.

E assim me viro.

Nascido para Matar

Sargento: LEVANTEM SEUS MARICAS! AGORA!!!

Mais um daqueles sonhos do qual não gosto de lembrar, cada vez mais constantes. E assim mais um dia se prossegue na academia, agora com 25 anos, estou prestes a me formar e entrar para a polícia de Temperance, ideal do qual venho seguindo desde minha perturbada juventude.

Estou de pé, com a farda, vendo meu pai na plateia, naquele enorme e bem decorado salão. Todos felizes por terem conseguido a formação, mas mal sabem que a merda toda acontece a partir de agora!

Formado com as melhores notas em atividades físicas, me apelidaram de Tank lá dentro. Gostei bastante que até tatuei nas minhas costas, como presente de formatura!

Se passado 3 anos na polícia, pude perceber como o sistema é falho, é nojento, desorganizado. Queria dar uma geral nessa merda!- penso enquanto estou acompanhado pelo Jack Daniel’s.

Arranjo alguns amigos para incriminar esses bostas! Emboscadas em flagrantes, cada dia dormindo melhor sabendo que alguns deles estão sendo julgados adequadamente, não muito, mas ainda assim estão, foda-se como.

Na cozinha de casa, pego uma banana, descasco e tiro todos os fiapos dela, espero que ninguém me veja fazendo isso- penso. Já prestes a adormecer no sofá, vendo jornal, ouço no segundo andar um leve rangido, que eu já suspeito que seja da porta do meu quarto quando se abre, pois é a única janela que dá de frente para a rua, aonde tem uma árvore próxima da janela, era óbvio. Pego minha arma embaixo das almofadas do sofá, desligo a Tv e espero embaixo da escada este pedaço de merda aparecer! Não demora muito, alguém com passos bem leves, alguém que pesa entre 50 á 70 kg, alguém que está acostumado a entrar sorrateiramente, alguém que já tenha entrado em minha casa, alguém que me conheça, pelo vão dos degraus puxo seu pé fazendo seu nariz amortecer seu corpo no chão, tiro o capuz desse homem já suspeitando de quem seja, acerto na mosca.

Jack: Frank?? O que diabos você está fazendo aqui seu inútil?

Frank: Desculpe Jack, eles tem minha família como refém, caso eu recusasse matá-lo, eles matariam minha esposa e filha, me perdoa cara!

Jack: Não é seu perdão que quero, quero um nome!

Frank: Gamble!

Há tempos quero sua cabeça e agora posso tê-la sem culpa. Que linda noite para se matar alguém, ainda mais alguém que mereça. Entro em um restaurante aonde Gamble se encontra.

Recepcionista: Boa noite Sr., tem reserva?

Jack: Tenho sim, estou junto com o Sr Gamble, é aniversário dele e gostaria de fazer uma surpresa.

Recepcionista: Ah sim, entendo, ele está na mesa 38.

Jack: Obrigado

1, 2, 3, 4, 5…..6 capangas de Gamble, que bonitinho, todos bem cuidados e nutridos. Coitados, não tem nada a ver com tudo isso.

Jack: GAMBLE!!!! Meu astuto e companheiro fiel! – Abraçando-o e tomando o lugar da prostituta ao seu lado – Sabe cara, espero que este dia seja tão especial quanto foi o meu! De todo meu coração!

Gamble: Você está bêbado Jack?

Jack: Siiiiim meu amigo, você não sabe a felicidade que eu estou em encontrá-lo, mas opa me desculpe, atrapalhar sua festinha, já vou me retirando, tome..pegue este capuz, acho que lhe pertence.

Já tendo resgatado a filha e esposa do Frank e deixados em local seguro, posso ficar mais tranquilo.

Jack: Susy? Gostaria de pedir aquele favor que você estava me devendo!

Gamble sai do restaurante já meio bêbado e manda todos para casa, se depara com uma linda mulher ruiva, seios fartos, corpo exuberante.

Gamble: Olá Olá, não é todo dia que vemos uma Afrodite! Sou um homem da noite e estou muito a fim terminar com esta deusa na cama!

Susy: Tome juízo homem, sou alguém de respeito e não me trate como essas putas que eu te vi saindo do restaurante!

Gamble: Mas com elas eu nem me dou ao luxo de tentar seduzi-las, eu apenas as pago e mando-as fazer um boquete!

Susy: Sei, se quiser ter uma boa conversa, posso te levar pra casa, estou esperando um táxi.

Gamble: Uma mulher como você não vai embora de táxi! – e assim chama um serviço de limusine – Assim que se trata uma verdadeira obra de arte da natureza!

Motorista: Para onde Senhor?

Gamble: Faça um tour, enquanto converso com esta linda mulher!

Jack: Presumo que seu tour seja adiado um pouco Gamble!

Gamble: Jack?? Que diabos você está fazendo?

Jack: Saia do carro Susy, obrigado! Vamos dar uma volta Gamble!

Mal sabe ele que está dopado, cada vez mais o veneno faz efeito, aos poucos tirando os sentidos.

Jack: É aqui nossa parada Gamble! Neste precipício

Gamble: Você é um caso perdido Jack….perdido, você já está mor….

Acho que ele quis dizer morto, não aguentei sua voz semi morta e dei um tiro em sua cabeça de uma vez. Coloco fogo e empurro ladeira abaixo, cheio de galões com gasolina.

Bon Voyage!

Um Passado Presente

Seu corpo inteiro sem pele, pendurado de ponta cabeça, podia senti-lo ainda vivo, como se ainda gemesse. Aquele garoto do subúrbio agora parecia uma carne em exposição. Não sabia o que sentir na hora, não sentia mais meus braços, se me matasse naquele momento talvez nem ligasse também, estava em estado de choque.

Assassino: Hey boy! O que houve, o gato comeu sua língua? – Já passando seu cutelo na minha cara, como que indicasse que eu fosse o próximo.

Quando ele se prepara para dar o primeiro golpe em mim, toca uma sineta, típica que fica atrás da porta, logo saquei, pelas vestimentas e equipamentos, eu estava no fundo de algum açougue.

Assassino: Não fuja pequeno coelho, tenho muita coisa que quero lhe mostrar ainda!

Para que a pressa? Sou apenas um garoto tentando viver pelas ruas, sem nada a perder, o maior laço que eu tive, está aqui agora pendurado. Não anseio escapar disso, termine logo isso o quanto antes, estou cansado.

Eis que o assassino voa pela porta a destruindo, típico de Hollywood, e quem aparece na porta, o Sr Soco de Pedra.

Velho: Garoto, você está bem?

Gabriel: O que pra você é estar bem?

Velho: Pelo jeito está

Já liberto das correntes vejo o assassino quase lúcido, e olho para o velho pedindo uma solução e sem questioná-lo em palavras me responde:

Velho: Faça o que quiser garoto – E vira as costas saindo daquele quarto

Pegando o mesmo cutelo, sinto uma fúria dentro de mim, quase que pegando fogo, chega até a doer dentro de mim, tiro o fio do cutelo e serro seu pescoço até me sentir satisfeito, o problema que nada do que faça a ele poderá fazer Pescador voltar a vida. Termino o serviço todo sujo pelo sangue espirrado em mim. A carne é mais dura do que parece nos filmes.

Gabriel: Aquele convite ainda está de pé velho?

Chris: Me chame de Chris seu imbecil e você se chamará Jack Jackman, confesso que não sou criativo, mas seu nome não interessa, mas sim suas ações.

Jack: Não quero deixar mais ninguém sofrer aos meus olhos, principalmente as que eu possa amar um dia.

Chris: Pensei que este pensamento já estivera perdido quando te encontrei no açougue, mas te ensinarei tudo que sei e garanto que se tornarás alguém digno de seus ideias. Você gosta de boxe?

Um Triste Uivo

Nada como sentir o corpo exausto por mais um treino, aquela sensação de cansaço físico, porém de mente revigorada. Vou a pé de carro casa, mas antes passo no quartel da polícia pegar alguns documentos que tinha esquecido e vejo que tenho uma mensagem de entrar em contato com meu pai, e assim telefono de lá para sua casa:

Chris: Quem é?

Jack: O certo é falar alô, seu velho!

Chris: Vá se fuder J.J., te liguei para te convidar para uma luta semi-profissional que terá aqui por perto logo mais, não quer vir?

Jack: Ok, acabei de sair da academia, então tomarei um banho rápido e já estarei a caminho, te pego aí na sua casa.

Chris: Não precisa, vou a pé até lá, to precisando me exercitar.

Jack: Exercitar agora a noite? Fica aê que eu te pego porra!

Chris: Ok, mas não demore

Saindo do quartel, vejo uma linda noite de lua cheia, sempre me encantei com ela. Chegando na casa do meu pai, o pego e vamos para o ginásio ali perto aonde terá a tal luta.
Jabs, ganchos, esquivas, direita e Nocaute! Esplêndido.

Saindo do ginásio tarde da noite meu pai me pede para que passe no banco com ele para que possa fazer um depósito. Estou encostado do outro lado da rua apenas escutando a Radio Kiss, Lynyrd Skynyrd- Simple Man…sempre admirei essa música. Vejo meu pai saindo do banco e um homem estranho encapuzado, chega perto dele e fala algo, do qual não consegui escutar. Meu pai em um reflexo dá sua melhor direita no cara, eu saio já louco querendo saber o que aconteceu e quando menos espero, agora o rapaz se transforma numa besta infernal, que quase dobra seu tamanho, minhas pernas tremem naquele momento, mas crio forças e saco a minha arma e começo a atirar na fera, ela desfere uma garra que rasga sua barriga, quase o partindo ao meio e percebo que a fera dirige o olhar a mim, me mantenho firme em minha posição, disse a mim mesmo: Haja o que houver, fique firme! E a besta corre em minha direção, naquela mesma hora veio a tona o mesmo sentimento de quando era jovem com o cutelo, mas dessa vez era diferente, com muito mais intensidade, mas eu queria deixar sair, explodir…

Estou nu deitado na rua, em meio a sangue e cortes por todo meu corpo, e no outro lado outro corpo, com a garganta dilacerada. Vou correndo ver meu pai…

Jack: Pai?? Pai??

Chris: Jack? Finalmente acordou meu filho – Com seus pulmões já cheios de sangue, não tinha mais jeito – Meu filho, escute com atenção, pegue estas bandagens, elas sempre me deram sorte, quero que fique com você, garanto que ela lhe trará tanta sorte como me trouxe.

Jack: Fique quieto, vou levá-lo ao hospital! – Mesmo sabendo que era impossível ele sobreviver naquele estado, me deixei levar pelo sentimental.

E assim morre um grande boxeador chamado Chris Jackman, Punhos de Pedra.

Ainda confuso pelo que acabara de acontecer, sinto meus sentidos aguçados e logo sinto o cheiro de alguém que ali estava me observando e grito:

Jack: Eu sei que você está ae! Saia logo antes que eu meta uma bala na porra da sua cabeça!

Desconhecida: Com que arma Destituído? – Sai uma mulher com um manto negro e mais 4 caras quase de meu porte e altura.

Jack: Desti o que??

Desconhecida: Esqueça, se quiser entender o que aconteceu por aqui, me encontre daqui um mês nesta mesma lua e tenha em mente de esquecer todo o seu lado humano, pois sei que o único lado afetivo que tinha, acabou de virar presunto!

Não tenho forças nem para responder tal insulto e acabo desmaiando.

Acordo em meu apartamento, cheio de curativos, mas não vejo ninguém a volta e me vem a tona a realidade de perder meu pai. Novo objetivo de vida é saber o que aconteceu aquela noite, porque meu pai foi morto. Logo recebo o endereço aonde meu pai foi enterrado. Levo flores e faço meus votos a ele, dizendo que acharei o culpado por isso.

Me demito da polícia e depois de um mês, já recuperado dos ferimentos me encontro com a tal mulher e os 4 caras na lua cheia e dou o primeiro soco no cara derrubando-o ao lado dela dizendo:

Jack: Nunca mais desrespeite meu pai desse jeito e pra sua sorte não bato em mulheres. Bom, para onde vamos?

Desconhecida: Colorado e espero que você acredite em contos de fadas.

Jack: Se isso ajudar a desvendar o porquê meu pai foi morto aquela noite, acredito até em papai Noel.

Uma Biografia

Temperance JazJessie